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terça-feira, 25 de agosto de 2015

(Literatura): O inicio diz tudo

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O que faz um livro ser inesquecível?

Os personagens, a trama, os dramas, os cenários, as descrições, o desenlace, o final?

Para mim, qualquer coisa desse tipo pode tornar um livro difícil de esquecer. Logicamente temos a tendência a lembrar dos últimos eventos. Uma vida inteira de virtudes pode ser esquecida por momentos finais de luxuria e destempero, ou, contrariamente, uma existência de vícios e crimes pode ser perdoada por um ou outro momento movimento final de compaixão e piedade.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

(Literatura): O mesmo mar, de Amós Oz

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O último livro que li foi "O mesmo mar", de Amós Oz (Companhia das Letras, 2001).

Não sei se conseguiria descrever o choque que tive quando o li. Não que seu tema seja impactante, não que suas ideias sejam revolucionárias ou mesmo que a trama seja tão envolvente.


Por isso mesmo, por não ter uma motivação intrínseca à estória, é que me surpreendi com o envolvimento e a empatia que experimentei em sua leitura.


O segredo estava na forma.


terça-feira, 10 de junho de 2014

(Literatura: Comentários e Sugestões): Leitura de "A mulher que escreveu a Bíblia", de Moacyr Scliar

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Queria falar um pouco sobre a leitura que fiz do livro "A mulher que escreveu a Biblia", do Moacyr Scliar (Companhia das Letras, 2007), mais um pequeno grande livro escrito por esse admirável escritor, que nos falta tanta falta.

Pequeno porque tem somente 162 páginas. Grande porque retrata magistralmente momentos e eventos que alguns autores prolixos e "enchedores de linguiça" (que, supõe-se, recebem por peso) demandariam o dobro ou o triplo de páginas.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

(Literatura - Comentários e sugestões): Páginas Sem Glória, Contos / Novela de Sérgio Sant'Anna

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Terminei recentemente a leitura do livro de contos de Sérgio Sant'Anna, "Páginas Sem Glória" (Companhia das Letras, 2012).

A rigor, não se trata de um livro de contos, mas de dois contos e uma novela, como se refere a si mesmo, ou de três novelas, se considerar-se o tamanho e densidade dos dois primeiros contos, "Entre as linhas" e "O milagre de Jesus", 21 e 43 páginas, respectivamente.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

(Citações): O livro de sua vida, de OSHO

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Talvez ainda não estivesse preparado, talvez o momento atual não seja o mais propício, talvez não se encaixe à minha história de vida, ao meu desenvolvimento humano, talvez não se adeque aos meus medos, aos meus mais obscuros medos, ao meu desejo de ter algo mais, à minha ancestral necessidade de pai, de colo.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

(Citações): Pimentas, de Rubens Alves (2)

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Meus poucos momentos de liberdade eu gasto aqui, não somente escrevendo essas coisas, mas aqui, neste ambiente, onde posso ficar "a ver navios", onde posso ver sem visto, observar sem ser observado, porém sem esconder-me.

Assim deve ser.

Hoje, pensava que gastaria esse minguado tempo procurando mais informações sobre meu sonho de mudança radical, principalmente bisbilhotando a rotina daqueles que pra lá se foram e gostam de apresentar sua experiência.

Tais momentos eu ainda não os compartilho.

Mas, lembrei-me de um ou dois parágrafos do livro do Rubem Alves, que serviu de inspiração ao meu post anterior.

Não é comum retomar um mesmo assunto, ainda mais na sequência.

Mas, é que... Bem tem um trecho que eu preciso deixar aqui, mesmo me expondo a violar algum direito autoral. 

Espero que não.

Trata-se de uma de suas crônicas ou contos, que ele chama de "O prazer nosso de cada dia dá-nos hoje...". Trago aqui o finalzinho do conto, que resume sua ideia  principalmente a respeito de reencarnação.

Quero deixar claro que não a defendo, apesar de achá-la surreal e original. Não havia pensado no assunto nesses termos e creio que é impossível opinar claramente a respeito estando em nosso estado atual, respirando, comendo, cheirando, tocando, sorvendo, fazendo sexo e outras coisas mais, que impedem qualquer julgamento sobre a experiência em uma outra existência. Mesmo quando alguns (com a autoridade de um Chico Xavier) nos apresentam o mundo espiritual, pretensamente como seria, fica difícil realmente sentir qualquer atração por ele, nesse estado corporal. 

Não nesse momento.

O que não quer dizer que eu o refuto.

Vai o trecho:

"Pois saiba você que eu acredito muito na reencarnação. Faz muito tempo anunciei a minha conversão num artigo de nome esquisito: 'oãçanracneeR". Reencarnação ao contrário: não de trás para diante mas de diante para trás. O futuro não me interessa. Eu nunca o vivi por isso não posso amá-lo. Não quero ir para o céu: o tempo infinito deve ser um tédio insuportável. E o mais terrível é não ter saída. O céu me dá claustrofobia. Além do que não quero evoluir. Muitas coisas não podem e não devem evoluir: saíras de sete cores, riachinhos, ipês floridos, a Nona sinfonia, uma preta jabuticaba...

O que seria uma jabuticaba evoluída?  Uma jabuticaba cúbica? Uma jabuticaba florida e perfumada e, depois, coberta de esferas negras brilhantes e túrgidas depois da chuva - esse objeto é divino, sem passado e sem futuro, presente puro destinado à eternidade. Não posso imaginar que alguma evolução lhe possa ser acrescentada. O que eu quero é não evoluir. O que eu quero é viver de novo o passado que vivi, com muito mais intensidade, sem os sentimentos de culpa com que minha religião aprisionou meu corpo, as minhas idéias, e os meus sentimentos... Tenho tristeza dos pecados que não cometi... Eram pecados tão inocentes...

Assim, quando já são poucas as jabuticabas na minha tigela, rezo o meu Pai-Nosso herético - ou erótico: 'O prazer nosso de cada dia dá-nos hoje...'."

terça-feira, 8 de outubro de 2013

(Citações): Pimentas, de Rubens Alves

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Escolher o que incluir aqui como citações para obras de Rubens Alves é uma tarefa difícil.
 
Sim, porque cada página de seus livros poderiam render, não somente uma, mas várias citações que bem seriam colocadas aqui, e teriam enorme aproveitamento.

Mas, na medida do possível, tentarei restringir os pensamentos que mais me chamaram a atenção nesse seu livro que, a rigor, comecei a ler ontem (Pimentas, Rubens Alves, Editora Planeta, 2012).

Assim, caso conclua esta postagem por hoje ou amanhã, ou ainda quando estiver em suas últimas páginas, com certeza perderei muitas e muitas outras filosofias emanadas da mente do professor. Logicamente, sempre poderei complementar a postagem com outras citações, e o farei com certeza.

Já em um dos primeiros contos, chamado "Filosofia de gato"(página 14), encontramos:

"Camus observou que o que caracteriza os seres humanos é a sua recusa a serem o que são. Eles não estão felizes com o que são. Querem ser outros, diferentes."

Na sequência continua (páginas 14-15):

"Desejos são perturbações na tranquilidade da alma. Ter um desejo é estar infeliz: falta-me alguma coisa, por isso desejo... Mas para meu gato nada falta. Ele é um ser completo. Por isso pode se entregar ao calor do momento presente sem desejar nada. E esse 'entregar-se ao momento presente sem desejar nada' tem o nome de preguiça. Preguiça é a pura virtude dos seres que estão em paz com a vida."

Sensacional, como não poderia deixar de ser. Mas, tenho uma outra possibilidade de intepretação às divagações do mestre.

De fato, a meu ver, a frase de Camus, ou seja, essa recusa humana em ser o que é, é a nossa consciência. É um resumo da única coisa que diferencia os seres humanos das outras criaturas. A consciência é isso mesmo. Ao percebermos nossa limitação e nos recursamos a conformar com isso é que passamos a ter consciência.

É por isso que a consciência humana (racionalmente) se recusa a acreditar em Deus, e temos que fazer uso de outros mecanismos para poder crer. E isso ocorre desde os tempos bíblicos. E o motivo é que, quando Moisés perguntou a Deus, do alto Monte da Promessa, qual era o seu nome Ele simplesmente disse: "Eu sou o que sou", [ou eu sou o que mostrarei ser], aludindo ao fato de que Ele é o que é e o que precisa ser, coisa que está além da consciência humana que se recusa a ser o que é e por isso não chega a ser o que precisa ser. Esse é o atributo humano mais profundo de verdade, nunca foi a inteligência, pois, pouco mais ou pouco menos, os animais também são inteligentes.

No entanto, como Rubens Alves demonstra com seu gato, não há necessidade dos animais em mudar suas "pessoas", suas condições. Os animais são o que são em quaisquer circunstâncias [diferente, logicamente, de Deus, que é que é, no sentido de mostrar o que deve ser, quando precisa ser].

Há também ênfase de Rubem Alves quando trata da idílica condição felina, a justificar que a preguiça é uma virtude, antes de ser um pecado,como apregoa a Igreja Católica. Nesse ponto eu concordo, mas somente em sua abordagem, nunca como uma apologia a preguiçosos contumazes.

Um pouco depois encontramos alguns comentários seus sobre a razão da loucura, encontrada em muitos gênios (página 27):

"Imagine mais, que a beleza seja tão grande que o hardware não as comporte e se arrebente de emoção! Pois foi isso que aconteceu àquelas pessoas que citei no principio: a musica que saia do seu software era tão bonita que o seu hardware não suportou."

Belíssima analogia. Talvez seja isso mesmo. O software de tais pessoas é tão sofisticado, tão além da conta, que não é comportado pelo pobre hardware ainda disponível a eles (e a nós também). Assim, esse conflito permeia toda a sua vida tornando-os disfuncionais para a nossa realidade. Seria como tentar rodar um Windows 8 em uma antiga máquina PC-XT da década de 1980. Sem chance!

E outra inserção teológica (página 33):

"Por que Deus criou o Inferno, isso eu não sei. Sei que não foi o Diabo, porque Deus, sendo onipotente, não permitiria que o Diabo tivesse tais poderes."

Aqui Rubem Alves, que também é teólogo, joga verde para colher maduro. Ele sabe uma boa resposta a essas perguntas e deseja somente instigar. A resposta seria: Não há inferno, porque não haveria motivos para Deus criá-lo e, ao mesmo tempo, não poderia permitir que outra divindade antagônica, mas inferior o fizesse, porque não há necessidade disso.

E poderíamos finalizar discorrendo sobre a semelhança entre o céu e a nossa vida atual (páginas 62 e 63), quando diz que a Adélia Prazo assim os comparava: "O céu será igualzinho a essa vida, menos uma coisa: o medo...".

Rubem Alves concorda, mas acrescenta a dor como algo que não pode existir no céu, se fosse para merecer tal nome. E eu acho que é assim também e por um motivo: No "céu" não existe a máxima do mutatis mutandis, ou seja, mudando o que precisa ser mudado. Por lá nada precisa mudar, pois são as mudanças que causam dor e medo. Sendo o "céu" um paraíso então não há mudança possível, nem necessária, logo não há dor ou medo, causados pelas sempre necessárias mudanças em nosso corpo, em nosso ânimo ou em nossos desejos.

Mas, temos mais. Temos uma pequena nota à página 79: "As pessoas são aquilo que amam"

Exato. Sem palavras.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

(Citações): Risíveis Amores, de Milan Kundera

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Faço aqui alguns parenteses sobre trechos de livros que leio, nos quais encontros frases ou parágrafos com ideias que, de uma forma ou de outra, um pouco mais, um pouco menos, eu também advogo ou  acredito ser válidas também para mim ou para o meio em que vivo.

Ou, pelo menos, considero-os insights, belas tiradas do autor. E eu, no melhor estilo "como não fui eu que fiz", quero apenas mostrar, muito mais para que não caia no meu esquecimento, como quase tudo que um dia entrou em minha mente.

Atualmente leio uma edição popular (barata) do livro "Risíveis Amores" do Milan Kundera (Companhia das Letras, 2012, tradução da versão francesa de Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca). Não me sinto capaz de fazer qualquer resenha sobre o livro, quanto mais falar do autor. Até esse momento, havia lido, há cerca de 15 ou 20 anos (não lembro), o seu livro mais famoso no Brasil, "A Insustentável Leveza do Ser", e comecei a ler "A Arte do Romance", sendo que esse ultimo não consegui terminar, por considerar demasiado teórico e erudito para mim.

Então vou ao primeiro trecho que achei muito bom (pág. 11):


"Atravessamos o presente de olhos vendados, mal podemos pressentir ou adivinhar o que estamos vivendo. Só mais tarde, quando a venda é retirada e examinamos o passado, percebemos o que vivemos e compreendemos o sentido do que passou."


De fato, é isso mesmo. Somos todos cegos no presente, em nenhum momento podemos ter total confiança no que fazemos ou no que deixamos de fazer. Além de cegos, somos guiados e guiamos outros cegos. É impossível vislumbrar em nossas atitudes diárias, aquela que nos levará a um precipício em poucos instantes, ou a que nos guiará para um mar de delícias em algum momento. 

Nunca saberemos totalmente. Agimos na confiança. Ou na esperança de que o chão estará no lugar que julgamos estar, de que a esquina estará ali, de que o outro cego, que porventura vier em nossa direção, pressentirá nossa presença e se afastará ou vice-versa.

A sorte é que nos guia. Seu império é uma situação generalizada. Todos temos a mesma cegueira temporal e ninguém pode se valer de sua pretensa suficiência em seu único benefício.

Logo, não há necessidade de sermos tão exigentes em nossas ações ou em seus erros. Ora, são atitudes praticadas por um cego. Se acertamos foi pura sorte, por mais pretensamente científica que possa ter sido nossa decisão. A sorte é que nos guia na verdade. Se erramos, não deve haver recriminações, pois é isso que se espera de um cego andando em uma rua movimentada, ou seja, que enfie a testa em um poste ou que seja atropelado ao atravessar uma rua.

Será que foi tirado de nós esse sexto sentido? Um especial sentido de tempo, um sensor que detecte as tênues mudanças na dimensão tempo e nos forneça prognósticos. Ou nunca tivemos tal capacidade? Fomos extirpados ou esse item não foi acrescido em nosso desenho básico?

Tenho outro ponto que acho pertinente (pág. 73):


"Até inventara, para seu próprio uso, um método original de autopersuasão: repetia para si mesma que todo ser humano ao nascer recebe um corpo entre milhões de outros corpos pronto para o uso, como se lhe fosse atribuída uma moradia semelhante a milhões de outras num imenso prédio; que o corpo é, portanto, uma coisa fortuita e impessoal; nada mais que um artigo emprestado e de confecção."


Genial. É uma excelente alegoria sobre a presença da alma como algo que sublima do corpo, como algo atemporal ou definitivo. 

Quem sabe não seja isso mesmo! A natureza dispõe de bilhões de invólucros a serem utilizados, ou dispõe da fórmula de constituí-los, que será utilizada a cada vez que necessitamos de uma nova roupa, dependendo da ocasião a que fomos designados. Nosso corpo real permanece o mesmo, mas, dependendo da roupa, ou casca, podemos ter nossa atuação modificada.

Ora, um soldado em uma armadura medieval teria atuação diferente de um astronauta em um traje espacial. Não se pode dizer que uma veste é melhor que a outra, pois depende para que trabalho o seu usuário foi designado. 

Sendo assim, tal traje, de fato, não nos pertence, mas àquele que nos emprestou, que o levará quando acabar nossa missão, reciclando-o. Afinal, esse é um tipo de instrumento que se presta somente a uma única utilização.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

(Devaneio): Ostra feliz não faz pérola, de Rubens Alves


Estou terminando de ler um livro. Uma surpresa, porém não inesperada. Comprei-o meio sem querer, depois de muito tatear por outros nas estantes da livraria e era chegada a hora, ou de comprar algum, ou ir embora, voltando ao meu enfado diário.

Já conhecia o autor de longa data, embora, quando tive primeiro contato com sua literatura, não tivesse atinado àquela percepção de mundo. E é essa concepção de ciência, de religião, de filosofia que me acompanha desde o primeiro ano de faculdade, quando utilizei seu livro "Filosofia da Ciência - Introdução ao jogo e suas regras" (Brasiliense, 1981) no rápido e burocrático curso de Introdução à Metodologia Científica.

Tinha somente 18 ou 19 anos à época, um ano mais jovem que meu filho é hoje, mas cheio de convicções, de idéias superdimensionadas sobre mim mesmo e meu futuro, então não posso culpar-me por não lembrar os ensinamentos que porventura tenha captado daquele pequeno tomo.

Mas, bem depois, com o segundo livro que li do autor, o meu reconhecimento e admiração se firmaram. Foi com "Variações sobre o prazer" (Editora Planeta, 2011) que se consolidou minha paixão. Ainda não consegui impunemente buscar somente o prazer, como ele diz, talvez por estar demasiadamente impregnado, por um lado, dos dogmas cristãos de uma educação passada, e, por outro lado, o de tantos desejos luxuriosos. E o embate dessas duas criaturas dentro de mim acaba por provocar uma estagnação de meu ego, a espera de uma resolução, que sei, nunca acontecerá.

Tenho inveja dele. Como de tantos. Fico feliz que é uma inveja não no sentido pecaminoso, mas apenas por não encontrar outra palavra superlativa para essa grande admiração. Minha alma se encontra com muitos escritores, embora não com eles, especificamente, mas com seus escritos, com suas composições, com seus insigthts, impossíveis de ser alcançados por mim, de forma independente.

Agora estou sorvendo o seu "Ostra feliz não faz pérola" (Editora Planeta, 2012). Magnifico. Um mundo de delicias. Cada trecho, cada pequeno vidrinho de seu caleidoscópio vale por uma citação. Irei apresentar apenas uma neste post. O resto deixo para a curiosidade daqueles que desejam se embrenhar na filosofia de Rubem Alves,

Como não poderia deixar de ser, pois o autor tem formação em teologia, seus textos são repletos de citações e pensamentos de cunho religioso, embora não se identifique qual a denominação que predomina. Temos os ensinamentos cristãos como maioria. Para aqueles que não se identificam com tais coisas, eu não citarei trechos que se aprofundem essas idéias, mas somente um pensamento que ilustra aquilo que eu também penso e advogo. Aliás, depois que decidi parar de escrever produtivamente, percebi que passei a ser amante de idéias e citações de outros, no melhor estilo do "nada se cria, tudo se copia".

Mas, não se trata de cópia, propriamente dita, mas sim de seguimento, de homenagem de alguém que se deseja discípulo, tão somente.

Vejamos uma idéia sensacional sobre o que é crer em Deus e, ao mesmo tempo, o que é a dúvida sobre o vazio, a questão da gnose. Encontro à página 208 desse "Ostra feliz não faz pérola":

A casa

Três homens conversam. Assentados, olham para o horizonte. Um deles diz: "Vejo uma casa e dentro dela vejo um homem". O outro diz: "Vejo a casa, mas não vejo nenhum homem dentro dela". Um terceiro comenta: "Não vejo a casa. Não vejo um homem. Só vejo o mar imenso, sem fim ...". Assim são os três. O primeiro é o que vê uma Presença habitando os espaços invisíveis do universo. Acredita em Deus. O segundo vê os espaços invisíveis do uiverso, mas não encontra neles nenhuma presença. Eles estão vazios. A essa pessoa dá-se o nome de ateu. Porém, que nome dar àquele que não vê os espaços invisíveis do universo, mas apenas o mar misterioso, ao longe, mar  para o qual caminha, mar que haverá de se tornar... Que nome lhe dar? "Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso! Que pena a vida ser só isso..."(Cecília Meireles)


Então, para mim, o livro foi como encontrar um recinto de espelhos e abismos. Em um dado instante vejo-me refletido em toda minha beleza e feiúra. Vejo ser apresentado aquilo que, em essência, mais acredito e gostaria de expressar, mas que, por não desejar "reinventar a roda", não me sentia capaz de demonstrar. Porém, às vezes na mesma página, o livro é um abismo, que não consigo me desviar, tenho que trilhá-lo, mesmo sabendo que nunca chegarei àquilo que desejo de verdade.


Bom! Enfim! Leitura recomendada!



terça-feira, 9 de abril de 2013

(Texto): Breve História do Espírito, de Sérgio Sant'anna





E não é que, à procura de algo novo para ler, em minhas idas à Livraria Cultura, onde quase sempre gasto meus últimos minutos de almoço, encontrei algo que até parece que mentalizei e inseri em uma consciência coletiva, que tornou disponível a alguém com atributos literários muito melhores que os meus, que o condensou de uma forma que eu próprio nunca poderia.

Mais provável ter ocorrido o contrário. Eu é que pesquei este pensamento do tal repositório mental da humanidade, ali posto inadvertidamente pelo autor, mas, diante de tão pífio talento, eu nunca poderia torná-lo em palavras tão bem ditas.

Ou faltou-me coragem para formular e sorver tal invocação, medroso e temeroso que sou quanto ao "cuidado com o que pedes, pois podes conseguí-lo."
 
O fato é que, na introdução ao livro "Breve história do espírito", de Sérgio Sant'anna (Cia. das Letras, 1991), obtive o tão empático comigo texto da

               "Invocação do Demo pelo contista da Província"
 
 
Desesperado, no botequim sórdido, o contista de Ouro Preto invocou do mais fundo de si mesmo as forças demoníacas:

- Ditem-me... ainda que um único e último texto, que contenha a atmosfera desta noite envolta em neblina, em que vagueiam espectros do passado: cavalos com suas narinas fumegantes a resvalar seus cascos nas pedras dessas ladeiras plenas de curvas e surpresas e...

   no interior da carruagem, a dama com seu vestido farfalhante, por quem morreria por um sorriso furtivo atrás de um leque o poeta a espiar por uma nesga de janela, ditem-me...
   o amor de tal ppoeta: pura sombra, invenção de quem crê que assim deve amar e assim ama? Ou uma falta tão sentida que o faz esfregar seu corpo insone contra a cama, gemer e estrebuchar, passar à noite pelo cemitério, sonhando com violações e pactos de morte: uma sede tão ardida quanto a do escravo no pelourinho, ditem-me...

   o gosto dessa água num chafariz de limpidez inatingível, a dor desse escravo, sua última visão embaciada de paisagens africanas, enquanto nas igrejas os sinos dobram, com suas cordas puxadas pelos longos braços da Grande Senhora desde a Europa...

- Ditem-me: o esplendor imperial do sacrifício que no interior dos templos dourados se celebra, o odor do incenso na bênção episcopal, cânticos noturnos, madonas pudicas, a lágrima de cera no olhar do Cristo contemplando a dama, a mesma da carruagem, ditem-me...
  o que abriga esta dama em seus suspiros, sua castidade, a pureza que os homens lhe atribuíram por medo de vê-la transbordar em sensualidade, ditem-me, esta sensualidade...

  o gozo da escrava nos fundos do casarão, o rastejar do senhor e da serpente e a sede destes outros, como eu, que não vieram aos templos mas à zona, a culpa e que males mais buscam aplacar com doses brutas de cachaça...
   ditem-me, o cheiro adocicado desta parte da cidade, fundindo o negro ao branco, o cheiro dos bairros pobres, ditem-me, esta embriaguez, como a cobra que se come pela boca que tudo quer abarcar, o passado mais remoto até este presente, ditem-me...
 
  afim de que eu mesmo me entenda e neste fio me projete para além dessas montanhas, um destinho de poeta e inconfidente, ditem-me, o meu sofrimento e desejo sem limites, ainda que em troca de minh'alma aqui perdida, ditem-me... estas palavras.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

(Mini-Crônica): Leite Derramado, de Chico Buarque de Holanda



Não foi o último livro que li. Depois dele ainda veio "O lobo da estepe" e "Sonhos de uma flauta e outros contos", ambos do Hermann Hesse, e estou lendo um do Carlos Heitor Cony, "A tarde de sua ausência".
 
Então não foi o último, mas poderia dizer que foi o último melhor. Estou falando de "Leite Derramado", do Chico Buarque (Cia. das Letras, 2009). A começar pela capa, que segue a reformulação nos demais livros do Chico (Estorvo, Benjamim e Budapeste). Grande sacada, ao colocar na capa o início da estória.

Tal início é muito bom e instigante, de prender o leitor. Assim, ninguém precisará abrir e ler a primeira página para uma avaliação preliminar. Ela já estará na capa. E já saberemos que é um sonhador quem relata a estória, um homem que deseja reviver o passado, que deseja refazer uma vida, repensar decisões, que está em busca de um momento de ruptura.
 
E é isso o livro inteiro. Uma pessoa em busca do momento de ruptura em sua felicidade. Como pode uma vida ter se partido e quem a vive não sabe o que e como ocorreu? Como pode um espavento tão grande acontecer sem sequer um aviso? Sem uma chance de recolhimento. Sem um "fujam para as montanhas". Não aconteceu como em um tsunami, com o recolhimento do mar, o vento forte, a entrada das águas iniciais, forte, mas não mortificante, para depois vir a devastação e ceifar quem ainda não conseguiu fugir.
 
Não, tudo precisou ser deduzido a posteriori, depois da devastação.
 
E assim é o livro, um chorar sobre o leite derramado. E assim é a vida do pobre protagonista, que nos conta a sua história. De forma conturbada, pois se trata de um idoso avançado, embora não totalmente senil, mas em uma cama de hospital, submetido a cuidados duvidosos em um sórdido hospital público.
 
Mesmo nessa masmorra ele continua a sonhar e a imaginar a causa de sua desgraça inicial, quando tudo que lhe era caro desmorona, e, a partir daí, vive em um eterno desmoronar. Nada mais permanece de pé em sua vida.
 
A estória é contada em primeira pessoa, é o próprio velho que conta, de acordo com suas lembranças e sentimentos, como elas lhe vêm à mente, por vezes repetindo eventos. Desfilam por lá toda uma miríade de personagens, de sua vida pessoal, de personalidades públicas, de desconhecidos, de relacionamentos. Acessoriamente, temos o pano de fundo da vida em tempos passados e das paisagens do Rio de Janeiro antigo.
 
Mas isso é somente pano de fundo. A temática é a decadência de uma vida que não consegue se recompor, que nunca conseguiu, que permanece sempre a chorar por algo que o incapacitou.

De fato, é impossível repor o leite no copo.


domingo, 25 de dezembro de 2011

(Mini-Crônica): Os Aparados, de Leticia Wierzchowski

Como já disse uma vez Milton Nascimento:


     Certas canções que ouço
     Cabem tão dentro de mim
     Que perguntar carece
     Como não fui eu que fiz?
     (...)
     (http://letras.terra.com.br/milton-nascimento/47411/)


A mesma coisa digo de certos livros. São tão parecidos com o que eu queria dizer que gostaria de ter escrito.


Dentre esses, gostaria de recomendar, principalmente para esse final de 2011, o livro "Os Aparados", de Letícia Wierzchowski (Record, 2009).  Como veem não é um livro novo, foi publicado em 2009, mas cai como uma luva em um período de final de ano.


A estória se passa em algum momento no futuro. O tempo é incerto, sabe-se apenas que estamos em um futuro e que não é muito distante, pois temos todos os cenários parecidos com o que existe hoje, portanto não se trata especificamente de uma ficção científica. O local da trama é o Rio Grande do Sul da autora, nas imediações de Porto Alegre e mais para dentro do interior gaúcho, nos Aparados da Serra.


Lá, um avô, ex-professor universitário, constrói um refúgio, um local auto-sustentável, que seria utilizado para sua fuga de um mundo em ruínas.


Mas, quem ele leva para se refugiar ali é sua neta, grávida de sete meses, também sozinha. Sua neta naquela condição é a garantia da transição. É a certeza de que ainda haverá mundo e vida após o caos que se instalou na natureza.


De fato, naquele momento tudo está em transição. As coisas antigas estão sendo destruídas novamente pela água. Parece que Deus resolveu transgredir sua própria promessa bíblica, dada após a destruição do Diluvio. 


Assim, até a divindade parece estar em transição.


E sua neta é a certeza de que ainda haverá esperança após tudo isso. Ela, o refúgio, a criança... Por isso ele luta tanto para entender e conviver com a neta, protegê-la é tudo que lhe resta. A moça parece não perceber o que a cerca, que o mundo que ela viu, nos seus parcos dezessete anos, não subsistirá e preocupa-se unicamente com seus dilemas sentimentais.


Ambos serão aparados. Ambos cederão um pouco de si, assim como a humanidade obrigatoriamente cederá , se deseja permanecer viva nesse planeta.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

(Mini-Crônica): Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis



Bom, e agora?


Vou me atrever a falar algo sobre esse clássico do Machado de Assis? Será que há algo de novo a se falar dele?


Duvido muito. Poderia ficar aqui lendo, relendo e tentando tirar leite de pedra e, com certeza, nada acresceria às inúmeras teses de doutorado que devem tê-lo apurado.


Mas, vejam só! Não é minha intenção falar nada de novo sobre os livros que tenho lido. Apenas mostrar uma ou duas coisas que acho interessante.


E o que me levou a ler esse livro nem foi meu próprio interesse. De Machado de Assis li Dom Casmurro e achei bem interessante. Li Esaú e Jacó e achei aborrecido. Aí, o Woody Allen fala que o Memórias Póstumas estava entre os livros que ele mais gostou de ler ultimamente. Pensei, "se o Woody Allen resolver filmar uma adaptação do livro eu precisaria tê-lo lido antes". E foi tal pensamento chinfrim e tiete que me fez ler o genial Machado.


Vergonhoso, confesso! 


Mas, pelo menos, o li. E gostei, bastante. Mal parafraseando Mr. Allen, é realmente bem atual seu texto. Digamos que a escrita e o modo de falar é absurdamente diverso de hoje, mas o contexto se assemelha. As tramas e intrigas e a boa vida de um playboy, o próprio Brás Cubas. Que vivia de obsessões e desejos e de os satisfazer.


E assim gasta a sua vida, sendo patrocinador de uma cortesã, quase arruinando sua família; ou estudando na Europa e dissolvendo mais dinheiro; ou com Virgília, mulher que poderia ter, mas deixou escapar, para ser seu amante; ou com seu amalucado amigo Quincas Borba, de quem quase assumiu uma também amalucada filosofia, o Humanitismo, ou como justificar a lei do mais forte; ou com sua carreira política sem brilho; e, quando decide pela derradeira obsessão, o emplastro Brás Cubas, encontra a morte em uma pneumonia.


E assim, coloca como última conquista, o fato de não ter deixado nenhum filho ou  criatura a quem poderia, mesmo inadvertidamente, transmitir os ensinamentos de sua desregrada e vadia vida. Ao menos disso ninguém poderia culpá-lo.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

(Mini-Crônica): O Olho, de Vladimir Nabokov



Terminei o livro O Olho de Vladimir Nabokov (Alfaguara, 2011).


É o primeiro que leio do autor. Deixei pra lá Lolita, por achar meio evidente, e parti para esse, meio sem saber o que queria e muito menos o que obteria.


E porque não fui ao Lolita, um clássico que nunca li?


Por dois motivos antagônicos.


Primeiro, tem a questão cinematográfica. Assisti à ultima versão do filme, de 1997, com o Jeremy Irons. Gostei muito, a atuação dos protagonistas, os cenários, tudo me pareceu verossímil, senão com a realidade, mas com a estória de Nabokov, mesmo sem tê-la lido.


Segundo, tem meu papel de pai. Quando assisti ao filme eu não tinha intenção de ter outro filho. Mas, apareceu Karina, que hoje se aproxima da idade de Lolita. Então, algo dentro de mim se opôs àquela experiência e àquele fato. Algo me encheu de nojo pelo protagonista e por tudo o que diz respeito ao enredo.


Assim, passou minha oportunidade de ler Lolita.


E assim caiu-me O Olho às mãos.


Trata-se aqui de um romance policial/detetivesco, ou um drama introspectivo ou um livro de abordagem espírita? Com certeza, um "não" à terceira opção; mas, um "pode ser" às demais.


Conta-se a estória de um jovem imigrante russo, chamado Smurov, fugido da revolução comunista, que tenta sobreviver na Alemanha da década de 1920. Envolve-se com uma mulher casada e sofre as consequências desse affair, com uma surra monumental do marido traído. Envergonhado e sem perspectivas, busca o suicídio. 


Até aí está certo, é isso mesmo. Mas, depois, nada mais pode ser definido.


Quem passa a contar a estória é o espírito de Smurov, que vê uma imagem de si mesmo em todos os lugares, e acompanha essa imagem? Ou é o próprio Smurov vivo, que fica esquizofrenico após a tentativa de suicídio e insiste em tratar a si mesmo, ora em primeira pessoa, ora em terceira pessoa?


De fato, não se sabe se os fatos narrados após a tentativa de suicídio ocorrem presentemente, ou em um passado recente, ou tratam de algo no futuro, bem depois do suicídio, consumado ou não.


Dizem que a tentativa do autor é demonstrar que a realidade é tão sobrenatural como o pensamento, e compete ao leitor descobrir o que é uma coisa e o que é outra.


Será possível que temos um terceiro olho; nosso, mas que está fora de nós, digamos em um tipo de limbo, nos analisando a todo instante e, ao final, seremos julgados por esse olho, que é nosso afinal? Quem poderia se safar desse julgamento?

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

(Mini-Crônica): Solar, de Ian McEwan



E acabei de ler o Solar do Ian McEwan (Cia. das Letras, 2010).

Confesso que foi um livro difícil de ler. Em um primeiro momento eu quis lê-lo porque achava a sua temática, que algumas sinopses propugnavam, seria a discussão de uma fonte de energia renovável, obtida do sol, ao estilo da fotossíntese. 

Tal idéia, abordada de uma forma inteiramente diferente, eu apresento em uma situação também bem diversa do Solar, em um livro que estou escrevendo. Quem sabe um dia eu conclua o livro e tenha coragem de divulgá-lo.

Até lá, muita água vai passar por debaixo dessa ponte, e muitos bronzeados o nosso sol também vai permitir.

Mas, na verdade, não é essa a temática do livro. Isso é apenas um mote para adentrar no submundo conspiratório dos cientistas e sua disputa, às vezes desleal, por prestígio.

Ademais, em muito momentos, o livro parece mais o roteiro de uma comédia ao estilo pastelão, sendo que o personagem principal se encaixaria muito facilmente como o Hardy, de "O gordo e o magro", embora esse não fosse mau caráter em essência e nem gênio em inteligência como, ambiguamente, o Larry Summers de Solar o é.

Penso que pouquíssimos leitores conseguirão se encaixar no perfil do protagonista, o que gera pouca empatia com ele, que é o modelo do anti-herói. Aliás ninguém vai querer se encaixar naquele perfil, mesmo que somente sob o ponto de vista físico, o que já seria muito desabonador.

Mas, algum comentário que li, em uma sinopse por aí, resumiu bem o livro e acrescento aqui: O protagonista me parece toda a humanidade, obesa, enorme, quase inválida, mas a pedir sempre mais de suas amantes, sem saber como, apesar de sua feiúra e de suas ações, ainda consegue a atenção de amantes tão belas e dedicadas. É como nosso planeta, tão lindo, tão receptivo, tão solícito em atender nossas necessidades. Até quando poderemos manter essa relação? E quando ele nos abandonar?

De um outro ponto de vista, uma coisa interessante no livro, é perceber como um fato sem importância, algo tão bobo, tão estúpido, pode transformar nossas vidas de forma decisiva, mesmo que tenhamos dados outros motivos muito mais sérios e consistentes para tal transformação, seja para o bem ou para o mal. Ou seja, ainda somos governados pelo caos.

Sendo assim, para que serve mesmo o planejamento?

quinta-feira, 30 de junho de 2011

(Mini-Crônica): Mulher Perdigueira, de Carpinejar

 E lendo “Mulher Perdigueira” de Fabrício Carpinejar (Editora Bertrand Brasil, 2010) eu começo este bate papo. Sim, esse é um livro de crônicas (verdadeiramente com “s”). Sensacional. 


Pena, que somente tive a ideia de "descreve-lo" quando já havia começado a ler o livro, por isso não retornei aos primeiros textos. De cara peguei o “Falo sério”. Porque? 

Por que penso, mais ou menos, na linha do conto também! Ou seja, para ser amigo precisar participar. Mas, não é da pura e simplória solidariedade que falo. Quero dizer que meu amigo precisa ter podres para contar. 

É lógico, como diz o Fabrício, que o perfeito não é confiável. Sacada perfeita. E nem quero saber se é original dele. Só me lamento que eu não tenha falado ou pensado nisso antes.


A definição de traição masculina! Porra. Achei pra lá de hilário. Mas, nem me perguntem mais, pois depois de 5 minutos do ocorrido, eu esqueço 80% do que li, sendo que os outros 20% vão se apagando paulatinamente pelo transcorrer de minha vida.



E tem a coisa do pessimista, ainda em Carpinejar. Eu acrescentaria uma outra maluquice a esse respeito. A de que o pessimista é o construtor de nossa sociedade. Acredito que exista o otimista positivo (aquele para o qual a coisa vai melhorar, mas, graças a seu instinto conservador, ele acha que, se ficar como está, está bom) e o otimista negativo (aquele conformado. A situação, observada por quem está de fora, não é e não está boa, mas para ele é assim mesmo, e assim continuará sendo).


Existe também o pessimista positivo e o negativo. O positivo é o melhor tipo de pessoa e o agente transformador de nossa sociedade. Ele não aceita a forma como as coisas são apresentadas e/ou estão vigorando. Não condiz com o seu jeito de encarar a vida, os relacionamentos e tudo o mais. Tem a certeza de que a felicidade só pode existir em uma outra realidade e crê ser possível a existência dessa realidade em seu prazo de vida. Assim, ele induz ou influencia essa mudança. O pessimista negativo, junto ao otimista negativo, são as forças mais destrutivas. A depender deles os seres humanos nunca teriam descido das árvores, ou talvez nem tivéssemos subido nelas.


Pulo para a crônica “Em todo lugar” (O livro de Carpinejar é uma fonte para divagações). Muito engraçada, mas adorei a expressão “sou um adolescente espremendo espinhas perante suas decisões”. Quantas vezes não me senti assim? Talvez, não pelo mesmo motivo do Carpinejar, mas como reflexo de algo semelhante, ou seja, sentir-se tão rebaixado perante a aparente sabedoria de alguém. Ele, a pessoa que ostenta, é um sabe-tudo e contextualiza a sua sapiência, dá fatos e exemplos e motivos e poréns e concordâncias e certezas que eu,..., coitado de mim! “To fora!”


Tenho de abster-me, tenho de centrar minha atenção em algo pueril, mais adequado às minhas posses intelectuais.


Teria muito a comentar sobre esse livro, mas, nos momentos de insight, quando o estava lendo, o meu bloquinho estava longe, dentro dessa mochila estúpida que acabei de comprar. Até abri-la, tirar bloquinho e lápis, e sentar-me e parar para escrever... 


Deixei para lá. Sob pena de esquecer o que iria falar. E aqui estou, pagando a pena.
 

quarta-feira, 30 de março de 2011

(Devaneio): Miss Saravejo

Pow!

Foi assim, uma pancada no coração.

Estava pensando em algumas músicas. Sei lá! Há Tempos do Legião; várias do Tears For Fears, como Pale Shelter; e aí veio o U2...

Quando penso no U2, ainda mais quando estou meio deprê, lá vem a Stay e o clipe em que ele está em Berlin no topo de uma estátua da Deusa Vitória.

Mas, ai me lembrei daquela música com participação do Pavarotti.

Já ouvi várias vezes e, com meu inglês raquítico, entendia uma parte. A parte do Pavarotti, em italiano, era um mistério. Ficava tão arrepiado que nunca fui atrás da tradução.

E a dúvida, porque "Miss Saravejo"? Sempre achei que fosse uma homenagem à Bósnia (e é, mas ao povo da Bósnia), que passava por uma guerra sangrenta, onde todos perdiam e não haveria vencedores, principalmente a população civil.

Foi quando localizei o blog do U2BR, feito por aficionados do U2 e que conhecem muito do riscado.

Cara. Gostei demais da interpretação da música. Não falo da tradução completa da letra, inclusive da parte italiana. Digo da história da geração da música.

De fato, Deus colocou na cabeça do Bono a letra da música. Caiu muito bem e foi cantada em show beneficente para a Bósnia em 1995.

Caramba! Tem momentos que desejo me afastar desses gênios, mas há o magnetismo que nos atrai a eles, como uma lâmpada atrai mariposa. Sou fadado a ser apenas uma mariposa, nunca um luminar

E assim, como estou tão sem inspiração e, já disse isso, meio deprê, segue o link para a pequena, mas sensacional interpretação de Miss Saravejo, e um link para a música, respectivamente:

http://u2br.virgula.uol.com.br/portal/node/180

http://letras.terra.com.br/u2/62980/traducao.html

quarta-feira, 16 de março de 2011

(Poema): Lugares Proibidos

A letra de Lugares Proibidos da cantora Helena Elis.

Link: http://www.youtube.com/watch?v=JNXvp88TYyo

Adoro. Queria ter feito.

"Lugares Proibidos
Eu gosto do claro quando é claro que você me ama
Eu gosto do escuro no escuro com você na cama
Eu gosto do não se você diz não viver sem mim
Eu gosto de tudo, tudo o que traz você aqui
Eu gosto do nada, nada que te leve para longe
Eu amo a demora sempre que o nosso beijo é longo
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby, com você já, já

Mande um buquê de rosas, rosa ou salmão
Versos e beijos e o seu nome no cartão
Me leve café na cama amanhã
Eu finjo que eu não esperava
Gosto de fazer amor fora de hora
Lugares proibidos com você na estrada
Adoro surpresas sem datas
Chega mais cedo amor
Eu finjo que eu não esperava

Eu gosto da falta quando falta mais juízo em nós
E de telefone, se do outro lado é a sua voz
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby com você chegando já "

Como é bom. É tão fácil amar assim.

domingo, 16 de janeiro de 2011

(Excerto): Sobre "Mulher Perdigueira", de Carpinejar

Então porque não falar dos livros que leio? De um jeito mais intimista, mais pessoal. Tentar retirar as partes que me interessaram. As influências que recebi de críticas feitas sobre esses livros.
E lendo “Mulher Perdigueira” de Carpinejar eu começo este bate papo. Sim, é um livro de crônicas (verdadeiramente com “s”). Sensacional. Logicamente, você verá bastante comentário desse tipo por aqui.
Tive essa idéia quando já havia começado a ler o livro, por isso não retornei aos primeiros textos. De cara peguei o “Falo sério”. Por quê? Por que penso, mais ou menos, nessa linha também! Ou seja, para ser amigo precisar participar. Mas, não é de pura solidariedade que falo. Quero dizer que meu amigo precisa ter podres para contar. É lógico, como diz o Fabrício, que o perfeito não é confiável. Sacada perfeita. E nem quero saber se é original dele. Só me lamento que eu não tenha falado ou pensado antes.
A definição de traição masculina! Porra. Achei pra lá de hilário. Mas, nem me perguntem mais, pois depois de 5 minutos eu esqueço 80% do que li, sendo que os outros 20% vão se apagando paulatinamente em até seis meses.
(...)


E, retornando ao que vim fazer aqui, vejam só, mesmo o Carpinejar, em seu “Mulher Perdigueira”, com sacadas muito legais, também tem algumas coisas que parece que serviram de tapa buraco no livro, como a idéia de associar o desempenho sexual de um homem ao modo como se comporta perante um prato, não levando em consideração que, tanto em um momento como no outro, o que vale é a soma, a sofreguidão, a expectativa, a propaganda anterior. É isso que vale. É a fantasia que preparou o ambiente, seja de fato, como acontece quando se está há dois dias sem uma boa refeição, ou apenas por ilusão, como é olhar uma revista erótica cheia de atrizes sexagenárias com pele e formas de adolescentes, porém, feitas por computador.

Mas, ainda tem a coisa do pessimista, também em Carpinejar. Eu creio que ele, o pessimista, é o construtor de nossa sociedade. Acredito que exista o otimista positivo (aquele para o qual a coisa vai melhorar, mas, graças a seu instinto conservador, ele acha que, se ficar como está, está bom) e o otimista negativo (aquele conformado. A situação, observada por quem está de fora, não é e não está boa, mas para ele é assim mesmo, e assim continuará sendo).
Existe também o pessimista positivo e o negativo. O positivo é o melhor tipo de pessoa e o agente transformador de nossa sociedade. Ele não aceita a forma que as coisas são e estão. Não condiz com o seu jeito de encarar a vida, os relacionamentos e tudo o mais. Tem a certeza de que a felicidade só pode existir em outra realidade e crê ser possível a existência dessa realidade em seu prazo de vida. Assim, ele induz ou influencia essa mudança. O pessimista negativo, junto ao otimista negativo, são as forças mais destrutivas. A depender deles os seres humanos nunca teriam descido das árvores, ou talvez nem teríamos subido nelas