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terça-feira, 24 de junho de 2014

(Excertos): O 12º Planeta, por Zecharia Sitchin, e nosso enigmático passado

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Há uma idéia que, penso eu, é recorrente na humanidade desde eras imemoriais, qual seja, o mistério de nossa procedência.

Parece consenso que somos, ou fomos gerados, ou criados, ou desenvolvidos em nosso planeta. Somos então terráqueos natos, não naturalizados.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

(Pensamentos e Elucubrações): Black blocs, o que se pode esperar deles?

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Fico intrigado com os grupos de jovens que invadem as ruas das cidades brasileiras, intitulados black blocs.

Esse movimento, pelo menos até onde se tem noticia e na forma como são organizados, surgiu na década de 1980 na Alemanha. Inicialmente buscava-se a defesa de ocupações contra a atuação de forças policiais e de grupos neonazistas.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

(Citações): O livro de sua vida, de OSHO

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Talvez ainda não estivesse preparado, talvez o momento atual não seja o mais propício, talvez não se encaixe à minha história de vida, ao meu desenvolvimento humano, talvez não se adeque aos meus medos, aos meus mais obscuros medos, ao meu desejo de ter algo mais, à minha ancestral necessidade de pai, de colo.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

(Citações): Pimentas, de Rubens Alves (2)

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Meus poucos momentos de liberdade eu gasto aqui, não somente escrevendo essas coisas, mas aqui, neste ambiente, onde posso ficar "a ver navios", onde posso ver sem visto, observar sem ser observado, porém sem esconder-me.

Assim deve ser.

Hoje, pensava que gastaria esse minguado tempo procurando mais informações sobre meu sonho de mudança radical, principalmente bisbilhotando a rotina daqueles que pra lá se foram e gostam de apresentar sua experiência.

Tais momentos eu ainda não os compartilho.

Mas, lembrei-me de um ou dois parágrafos do livro do Rubem Alves, que serviu de inspiração ao meu post anterior.

Não é comum retomar um mesmo assunto, ainda mais na sequência.

Mas, é que... Bem tem um trecho que eu preciso deixar aqui, mesmo me expondo a violar algum direito autoral. 

Espero que não.

Trata-se de uma de suas crônicas ou contos, que ele chama de "O prazer nosso de cada dia dá-nos hoje...". Trago aqui o finalzinho do conto, que resume sua ideia  principalmente a respeito de reencarnação.

Quero deixar claro que não a defendo, apesar de achá-la surreal e original. Não havia pensado no assunto nesses termos e creio que é impossível opinar claramente a respeito estando em nosso estado atual, respirando, comendo, cheirando, tocando, sorvendo, fazendo sexo e outras coisas mais, que impedem qualquer julgamento sobre a experiência em uma outra existência. Mesmo quando alguns (com a autoridade de um Chico Xavier) nos apresentam o mundo espiritual, pretensamente como seria, fica difícil realmente sentir qualquer atração por ele, nesse estado corporal. 

Não nesse momento.

O que não quer dizer que eu o refuto.

Vai o trecho:

"Pois saiba você que eu acredito muito na reencarnação. Faz muito tempo anunciei a minha conversão num artigo de nome esquisito: 'oãçanracneeR". Reencarnação ao contrário: não de trás para diante mas de diante para trás. O futuro não me interessa. Eu nunca o vivi por isso não posso amá-lo. Não quero ir para o céu: o tempo infinito deve ser um tédio insuportável. E o mais terrível é não ter saída. O céu me dá claustrofobia. Além do que não quero evoluir. Muitas coisas não podem e não devem evoluir: saíras de sete cores, riachinhos, ipês floridos, a Nona sinfonia, uma preta jabuticaba...

O que seria uma jabuticaba evoluída?  Uma jabuticaba cúbica? Uma jabuticaba florida e perfumada e, depois, coberta de esferas negras brilhantes e túrgidas depois da chuva - esse objeto é divino, sem passado e sem futuro, presente puro destinado à eternidade. Não posso imaginar que alguma evolução lhe possa ser acrescentada. O que eu quero é não evoluir. O que eu quero é viver de novo o passado que vivi, com muito mais intensidade, sem os sentimentos de culpa com que minha religião aprisionou meu corpo, as minhas idéias, e os meus sentimentos... Tenho tristeza dos pecados que não cometi... Eram pecados tão inocentes...

Assim, quando já são poucas as jabuticabas na minha tigela, rezo o meu Pai-Nosso herético - ou erótico: 'O prazer nosso de cada dia dá-nos hoje...'."

terça-feira, 8 de outubro de 2013

(Citações): Pimentas, de Rubens Alves

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Escolher o que incluir aqui como citações para obras de Rubens Alves é uma tarefa difícil.
 
Sim, porque cada página de seus livros poderiam render, não somente uma, mas várias citações que bem seriam colocadas aqui, e teriam enorme aproveitamento.

Mas, na medida do possível, tentarei restringir os pensamentos que mais me chamaram a atenção nesse seu livro que, a rigor, comecei a ler ontem (Pimentas, Rubens Alves, Editora Planeta, 2012).

Assim, caso conclua esta postagem por hoje ou amanhã, ou ainda quando estiver em suas últimas páginas, com certeza perderei muitas e muitas outras filosofias emanadas da mente do professor. Logicamente, sempre poderei complementar a postagem com outras citações, e o farei com certeza.

Já em um dos primeiros contos, chamado "Filosofia de gato"(página 14), encontramos:

"Camus observou que o que caracteriza os seres humanos é a sua recusa a serem o que são. Eles não estão felizes com o que são. Querem ser outros, diferentes."

Na sequência continua (páginas 14-15):

"Desejos são perturbações na tranquilidade da alma. Ter um desejo é estar infeliz: falta-me alguma coisa, por isso desejo... Mas para meu gato nada falta. Ele é um ser completo. Por isso pode se entregar ao calor do momento presente sem desejar nada. E esse 'entregar-se ao momento presente sem desejar nada' tem o nome de preguiça. Preguiça é a pura virtude dos seres que estão em paz com a vida."

Sensacional, como não poderia deixar de ser. Mas, tenho uma outra possibilidade de intepretação às divagações do mestre.

De fato, a meu ver, a frase de Camus, ou seja, essa recusa humana em ser o que é, é a nossa consciência. É um resumo da única coisa que diferencia os seres humanos das outras criaturas. A consciência é isso mesmo. Ao percebermos nossa limitação e nos recursamos a conformar com isso é que passamos a ter consciência.

É por isso que a consciência humana (racionalmente) se recusa a acreditar em Deus, e temos que fazer uso de outros mecanismos para poder crer. E isso ocorre desde os tempos bíblicos. E o motivo é que, quando Moisés perguntou a Deus, do alto Monte da Promessa, qual era o seu nome Ele simplesmente disse: "Eu sou o que sou", [ou eu sou o que mostrarei ser], aludindo ao fato de que Ele é o que é e o que precisa ser, coisa que está além da consciência humana que se recusa a ser o que é e por isso não chega a ser o que precisa ser. Esse é o atributo humano mais profundo de verdade, nunca foi a inteligência, pois, pouco mais ou pouco menos, os animais também são inteligentes.

No entanto, como Rubens Alves demonstra com seu gato, não há necessidade dos animais em mudar suas "pessoas", suas condições. Os animais são o que são em quaisquer circunstâncias [diferente, logicamente, de Deus, que é que é, no sentido de mostrar o que deve ser, quando precisa ser].

Há também ênfase de Rubem Alves quando trata da idílica condição felina, a justificar que a preguiça é uma virtude, antes de ser um pecado,como apregoa a Igreja Católica. Nesse ponto eu concordo, mas somente em sua abordagem, nunca como uma apologia a preguiçosos contumazes.

Um pouco depois encontramos alguns comentários seus sobre a razão da loucura, encontrada em muitos gênios (página 27):

"Imagine mais, que a beleza seja tão grande que o hardware não as comporte e se arrebente de emoção! Pois foi isso que aconteceu àquelas pessoas que citei no principio: a musica que saia do seu software era tão bonita que o seu hardware não suportou."

Belíssima analogia. Talvez seja isso mesmo. O software de tais pessoas é tão sofisticado, tão além da conta, que não é comportado pelo pobre hardware ainda disponível a eles (e a nós também). Assim, esse conflito permeia toda a sua vida tornando-os disfuncionais para a nossa realidade. Seria como tentar rodar um Windows 8 em uma antiga máquina PC-XT da década de 1980. Sem chance!

E outra inserção teológica (página 33):

"Por que Deus criou o Inferno, isso eu não sei. Sei que não foi o Diabo, porque Deus, sendo onipotente, não permitiria que o Diabo tivesse tais poderes."

Aqui Rubem Alves, que também é teólogo, joga verde para colher maduro. Ele sabe uma boa resposta a essas perguntas e deseja somente instigar. A resposta seria: Não há inferno, porque não haveria motivos para Deus criá-lo e, ao mesmo tempo, não poderia permitir que outra divindade antagônica, mas inferior o fizesse, porque não há necessidade disso.

E poderíamos finalizar discorrendo sobre a semelhança entre o céu e a nossa vida atual (páginas 62 e 63), quando diz que a Adélia Prazo assim os comparava: "O céu será igualzinho a essa vida, menos uma coisa: o medo...".

Rubem Alves concorda, mas acrescenta a dor como algo que não pode existir no céu, se fosse para merecer tal nome. E eu acho que é assim também e por um motivo: No "céu" não existe a máxima do mutatis mutandis, ou seja, mudando o que precisa ser mudado. Por lá nada precisa mudar, pois são as mudanças que causam dor e medo. Sendo o "céu" um paraíso então não há mudança possível, nem necessária, logo não há dor ou medo, causados pelas sempre necessárias mudanças em nosso corpo, em nosso ânimo ou em nossos desejos.

Mas, temos mais. Temos uma pequena nota à página 79: "As pessoas são aquilo que amam"

Exato. Sem palavras.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

(Citações): Risíveis Amores, de Milan Kundera

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Faço aqui alguns parenteses sobre trechos de livros que leio, nos quais encontros frases ou parágrafos com ideias que, de uma forma ou de outra, um pouco mais, um pouco menos, eu também advogo ou  acredito ser válidas também para mim ou para o meio em que vivo.

Ou, pelo menos, considero-os insights, belas tiradas do autor. E eu, no melhor estilo "como não fui eu que fiz", quero apenas mostrar, muito mais para que não caia no meu esquecimento, como quase tudo que um dia entrou em minha mente.

Atualmente leio uma edição popular (barata) do livro "Risíveis Amores" do Milan Kundera (Companhia das Letras, 2012, tradução da versão francesa de Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca). Não me sinto capaz de fazer qualquer resenha sobre o livro, quanto mais falar do autor. Até esse momento, havia lido, há cerca de 15 ou 20 anos (não lembro), o seu livro mais famoso no Brasil, "A Insustentável Leveza do Ser", e comecei a ler "A Arte do Romance", sendo que esse ultimo não consegui terminar, por considerar demasiado teórico e erudito para mim.

Então vou ao primeiro trecho que achei muito bom (pág. 11):


"Atravessamos o presente de olhos vendados, mal podemos pressentir ou adivinhar o que estamos vivendo. Só mais tarde, quando a venda é retirada e examinamos o passado, percebemos o que vivemos e compreendemos o sentido do que passou."


De fato, é isso mesmo. Somos todos cegos no presente, em nenhum momento podemos ter total confiança no que fazemos ou no que deixamos de fazer. Além de cegos, somos guiados e guiamos outros cegos. É impossível vislumbrar em nossas atitudes diárias, aquela que nos levará a um precipício em poucos instantes, ou a que nos guiará para um mar de delícias em algum momento. 

Nunca saberemos totalmente. Agimos na confiança. Ou na esperança de que o chão estará no lugar que julgamos estar, de que a esquina estará ali, de que o outro cego, que porventura vier em nossa direção, pressentirá nossa presença e se afastará ou vice-versa.

A sorte é que nos guia. Seu império é uma situação generalizada. Todos temos a mesma cegueira temporal e ninguém pode se valer de sua pretensa suficiência em seu único benefício.

Logo, não há necessidade de sermos tão exigentes em nossas ações ou em seus erros. Ora, são atitudes praticadas por um cego. Se acertamos foi pura sorte, por mais pretensamente científica que possa ter sido nossa decisão. A sorte é que nos guia na verdade. Se erramos, não deve haver recriminações, pois é isso que se espera de um cego andando em uma rua movimentada, ou seja, que enfie a testa em um poste ou que seja atropelado ao atravessar uma rua.

Será que foi tirado de nós esse sexto sentido? Um especial sentido de tempo, um sensor que detecte as tênues mudanças na dimensão tempo e nos forneça prognósticos. Ou nunca tivemos tal capacidade? Fomos extirpados ou esse item não foi acrescido em nosso desenho básico?

Tenho outro ponto que acho pertinente (pág. 73):


"Até inventara, para seu próprio uso, um método original de autopersuasão: repetia para si mesma que todo ser humano ao nascer recebe um corpo entre milhões de outros corpos pronto para o uso, como se lhe fosse atribuída uma moradia semelhante a milhões de outras num imenso prédio; que o corpo é, portanto, uma coisa fortuita e impessoal; nada mais que um artigo emprestado e de confecção."


Genial. É uma excelente alegoria sobre a presença da alma como algo que sublima do corpo, como algo atemporal ou definitivo. 

Quem sabe não seja isso mesmo! A natureza dispõe de bilhões de invólucros a serem utilizados, ou dispõe da fórmula de constituí-los, que será utilizada a cada vez que necessitamos de uma nova roupa, dependendo da ocasião a que fomos designados. Nosso corpo real permanece o mesmo, mas, dependendo da roupa, ou casca, podemos ter nossa atuação modificada.

Ora, um soldado em uma armadura medieval teria atuação diferente de um astronauta em um traje espacial. Não se pode dizer que uma veste é melhor que a outra, pois depende para que trabalho o seu usuário foi designado. 

Sendo assim, tal traje, de fato, não nos pertence, mas àquele que nos emprestou, que o levará quando acabar nossa missão, reciclando-o. Afinal, esse é um tipo de instrumento que se presta somente a uma única utilização.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

(Mini-Ensaio): À nossa continuidade




Li uma citação, atribuída a George Bataille (escritor e filósofo francês, falecido em 1962). A citação (não vou dizer onde li), dizia:

"O que desejamos é trazer para um mundo fundamentalmente descontínuo toda a continuidade que ele pode sustentar."

A citação, diz-se, foi obtida da obra "L'erostime", e, como não li tal obra, não sei se essa frase foi verazmente retirada de lá, ou se a tradução pescou o sentido que o autor quis dar à coisa.

Mas, como estou escrevendo um devaneio, pesco o que quiser disso aí, e pode ser que venha um atum ou uma sardinha, mas ambos servirão para alimentar-me, em um dado momento.

Será que o autor fazia seu comentário em relação ao erotismo em sentido amplo, ou ao sexo, estritamente falando, a saber, o ato propriamento dito?

Se for assim, concordo! É isso mesmo. De fato. Ipso facto!

Sim, o erotismo, ou o sexo, é uma maneira de ligarmos as nossas partes descontínuas. Em ultima análise, a meu ver, é o único momento efetivo (e nem cogito se está sendo feito com amor ou somente por prazer, apenas penso que seja totalmente consensual e não profissional) que nos sentimos integrado a um fim comum. É um momento em que, de fato, sentimos que temos continuidade em outro ser.

Naturalmente fomos desgarrados e individualizados. No sexo não, influímos e refluímos, damos e recebemos e nos mantemos coesos por certo tempo. É a nossa tentativa de dar continuidade ao nosso mundo. 

Fugaz, com certeza, mas é a única forma material de conseguir essa continuidade.

Outras formas esotéricas de continuidade, tipo oração e meditação, são estados que muitos conseguem chegar, mas, posso dizer por experiência própria, a grande maioria não está aparelhada para tanto (aos quais me incluo). Não parece natural, ao menos no estado de matéria que nascemos (se se pode acreditar em outro estado, fica a critério de cada um). Instintivamente não temos uma antena e receptor para união por esses estados.

Mas, veio-me também à mente algo de natureza menos fundamental, ou seja, o que seria essa descontinuidade? Trata-se de uma pretensa característica discreta de nosso universo?

Ou seja, nosso mundo é discreto (ou descontinuo), e assim é absolutamente contável. Tudo que se pode ver é aquilo que há de fato. E podemos aumentar nossa percepção ao limite que continuaremos a poder quantificar o que vemos. Isso induz a uma previsibilidade de nossa vida e de nossa natureza. E a previsibilidade torna tudo muito tedioso. Nossa inteligência tende a odiar o tédio, por não a desafiar.

Mas, clamamos pela continuidade. Pelo simples contínuo. Ou seja, por coisas que não podem ser contadas, que apenas são passíveis de serem medidas, embora nunca precisamente. Enquanto tivermos a ilusão de que é impossível contar, apenas passível deduzir, podemos utilizar nossa mente para imaginar e elucubrar, e o que nos estimula, de fato.

E não é isso o objetivo dos devaneios?

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

(Texto): Sonho brasileiro


 Apenas queria fazer um breve comentário sobre a matéria da BBC Brasil, "Brasileiros relatam lado amargo do 'sonho' americano", link: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/08/120814_imigracao_eua_personagens_pu_ac.shtml.

No artigo, temos o relato de uma jovem de ascendência sul-coreana, nascida no Brasil, mas criada nos EUA. Conta que sua familia decidiu sair do Brasil e tentar a sorte nos EUA, quando ela tinha 2 anos, e todas as agruras que  passou até conseguir a desejada cidadia americana. Também cita um brasileiro que foi para os EUA, com visto de turista aos 14 anos, e tudo o que passou até o momento. 

Para ambos, a cidadania americana poderia ser confundida com o "sonho". Mas não é. O sonho, na verdade, é a realização pessoal e profissional e o reconhecimento de seu esforço mediante a sonhada ascensão social.

Tratam-se de pessoas especiais, pessoas decididas a atingir seu sonho pessoal, que não fogem ao desafio e aos obstáculos que a vida lhes impôs. Se não conseguiram plenamente atingir todo o seu potencial, certamente não foi por falta de iniciativa própria, e, com o que conseguiram, podem se intitular vencedores, com certeza.

Porém, diante do que li e da atual realidade do Brasil, eu posso dizer, sem sombra de dúvidas, é muito, mas muito mais fácil para um brasileiro atingir esse "sonho americano" aqui no Brasil. 

Porém, digo e repito, na atual realidade. Claro que, há vinte ou trinta anos atrás não se podia dizer isso. Àquela época não havia as diversas bolsas-familia da atualidade, as bolsas publicas nas faculdades particulares, a politica de quotas nas universidades públicas, os muitos concursos públicos e as muitas outras coisas que, se utilizadas por pessoas como os jovens da reportagem, facilitariam muito a sua ascenção social. E são mecanismos que não existem nos EUA.

No Brasil da atualidade, um jovem pobre ou muito pobre, mas empreendedor e entusiasmado terá a sua disposição, bastando procurar um pouco, muitos mecanismos que possibilitarão a ele entrar na faculdade e conseguir seu primeiro emprego sem exigência de experiência, apenas concorrendo a PROUNI's e inscrevendo-se (gratuitamente) em concursos públicos. Coisa que não existe nos EUA, onde você depende, além de ter uma competência fora do comum, da boa vontade de filantropos públicos ou privados.

Creio que a única coisa que obriga uma pessoa (com as qualidades dos jovens da reportagem) a sair do Brasil é a questão da violência e da corrupção. Um jovem que gosta de estudar, que gosta de vencer desafios impostos e sente-se valorizado ao conquistar metas realmente terá muitos problemas com a violência e com a corrupção que reinam por aqui, pois não poderá se inserir nesse meio, nem mesmo participar dele. 

Esse é, a meu ver, o grande problema do Brasil. Pessoas do tipo sofrem muito com tal situação, tendo que passar por inúmeras restrições pessoais para fugir da violência e não se submeter à corrupção, ambas veladamente tão aceitas em nossa cultura.

O "sonho americano", com certeza, é mais fácil ser atingido no Brasil, mas o "sonho brasileiro" ainda está longe de ser alcançado.



quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

(Devaneio): Versões de algo belo

Pessoal,

Vejam como algo que é originalmente belo, pode ficar feio se muito elaborado, mas pode ficar ainda mais belo, ao ganhar... simplicidade:





Então, só nos resta aplaudir e nos emocionar com as coisas simples, que afinal é o que torna nossa existência mais bela.

OK. Vou ali e já volto!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

(Mini-Ensaio): Sobre artigo do Senador Cristovan Buarque

Não é a primeira vez (e muito menos será a ultima) que desejo repercutir um pensamento do senador Cristovan Buarque. Trata-se de um político que muito estimo, talvez o melhor que se dispõe no momento nesse Brasil, mesmo que alguns possam localizar aqui e ali alguma falha, coisa que é inerente à pessoa humana.


Dessa vez falo do artigo publicado em O Globo de 05.11.2011, intitulado "Cinismo ou Ceticismo".


Concordo com o Cristovan e creio que alguém deveria estudar mais profundamente essa nova faceta da corrupção no Brasil. Apresentar a cada dia novos vídeos e gravações não vai ao âmago da questão, ou seja, o porquê e o como se cria a corrupção no Brasil.


Porque nós brasileiros passamos a aceitar tão bem as pequenas corrupções, os pequenos deslizes, os simples desvirtuamentos de conduta e de ética? Será isso um fenômeno mundial que se repercute elevado à enésima potência aqui em nossas terras? Ou será isso um aspecto de nossa cultura e de nossa formação social, aquela máxima espúria do "povo formado por português ladrão, índio preguiçoso e negro malandro só poderia dar nisso"?


Logicamente que conta muito a nossa formação, feita por caminhos um tanto tortuosos. Claro que a maioria dos portugueses que vieram para cá não eram ladrões, mas uma grande parte não tinha interesse em desenvolver-se nessas paragens, mas delas retirar o que pudesse e a qualquer custo para retornar a seu país. Daí chamar-se a si próprio de "brasileiros", ou seja, morar no Brasil era uma profissão, mais que nacionalidade.  Também nossos índios não eram preguiçosos, apenas nunca precisaram passar pela exploração desmedida imposta por esses "brasileiros", já que sua terra lhes dava tudo que precisava sem grande esforço, e eles também não exigiam da terra mais do que necessitavam para sua sobrevivência, vivendo em equilíbrio com seu meio-ambiente. E nossos negros nunca poderiam ser chamados de "malandros", apenas agiam no seu direito de usurpado pela situação escravagista. Quem poderia achar ilegítima a necessidade de alguém querer fugir dessa situação.


Então há um acerto ao dizer-se que a nossa formação em muito contribuiu para nossa situação atual, de baixa moralidade pública,mas não nos termos simplistas apresentados acima. De fato, até hoje nossos políticos ainda se sentem "brasileiros", no sentido profissional (não importando se de ascendência branca, negra ou indígena), e não pensam em deixar um legado para as próximas gerações, como se seus próprios descendentes não fizessem parte dessa geração futura.


Mas, o problema não está somente no lado de cima de nossa pirâmide social. Os pequenos também se imiscuem nisso. Mesmo aqueles que nunca precisaram de forma ativa ou passiva passar por uma situação clássica de corrupção. Falo das "pequenas corrupções, os pequenos deslizes, os simples desvirtuamentos de conduta e de ética".


Isso mesmo, quando alguém acha-se muito esperto e favorecido pela sorte porque conseguiu passar à frente de um imenso grupo de pessoas, simplesmente porque conhece alguém que lhe deu esse "direito". Quando alguém resolve utilizar uma vaga de deficiente ou de idoso em um estacionamento lotado, simplesmente porque "ninguém viu" ou "porque é por pouco tempo". Quando alguém resolve parar em fila dupla ou sobre a calçada, porque “não tem nenhum guarda por perto” e "é por alguns minutos". Esses e outros tantos exemplos de pequenos delitos, aceitos placidamente por nossa sociedade, é que forma o caminho para coisas maiores, para que aqueles que os praticam se vejam também no direito ou na possibilidade ou na aceitação de algo maior, no interesse pessoal ou de sua família ou de seu grupo social, em detrimento às regras impostas a todos ou ao bem social maior.


Mas, estou muito, mas muitíssimo longe de ser o Euclides da Cunha para revelar algo além do que o Cristovan já disse em seu texto.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

(Mini-Ensaio): Consumo "ludico-recreativo" ?!

Falo do artigo "Campus da USP: Quem ganhou e quem perdeu" de Wálter Fanganiello Maierovitch, jurista e professor, onde ele faz uma defesa da invasão dos alunos ao prédio da reitoria da USP, em protesto pela presença da Policia Militar, após essa ter prendido alguns alunos que consumiam maconha no campus.
Sei que estar ao lado maioria, apesar de democraticamente ser a melhor posição, nem sempre é estar ao lado da razão ou da inteligência, mas, pelo menos dessa vez, a verdade é tão óbvia e simples, que não parece ser possível criar-se argumentos contrários.
O artigo está no link: http://maierovitch.blog.terra.com.br/
Fiz dois comentários sobre esse artigo: 
1°) 
Discordo muito do articulista. Comparar a nossa situação à Inglaterra é não ter qualquer conhecimento de como são as ruas das grandes cidades brasileiras. Aqui se mata mesmo, a qualquer instante e por qualquer motivo, se rouba de verdade, mesmo que a vítima não tenha se descuidado, e se estupra de verdade, mesmo em locais de elevada circulação e à luz do dia. Na Inglaterra, o cidadão tem uma sensação de segurança que em nenhum lugar do Brasil existe. O Reino Unido é o 28º maior índice de desenvolvimento humano e o Brasil é o 84º (somente 56 países nos separam, tais como Equador, Venezuela, Líbano, Líbia e muitos outros). Em questão de corrupção a Transparência Internacional aponta o Brasil como o 69º menos corrupto (para fazer um comentário otimista) e o Reino Unido o 20º (à frente do Brasil temos Gana, Botswana, Africa do Sul, entre outros). Então, logicamente que nossos problemas estão muitos buracos abaixo daqueles da Inglaterra. Discordo muito da política de permissão de consumo de drogas, principalmente em público, mesmo que a título “ludico-recreativo”(!!). Se querem brincar e recrear consumindo maconha, que o façam dentro de suas casas, a portas e janelas cerradas. Quando temos muitas frentes de luta e só podemos atender a uma ou a algumas, devemos escolher qual é(são) a(s) principal(is). Logicamente, que aquela que salvaguarda a vida e a integridade física dos alunos está muitas vezes à frente da pretensa liberdade (!?) que se quer adotar dentro do campus. E que liberdade é essa? Já se aprovou a liberação da maconha no Brasil? E os alunos que invadiram a reitoria, não agiram de forma não democrática, que prevê a submissão à vontade da maioria? E não destruíram patrimônio público? E não agiram em conluio todos eles a fim de invadir e destruir propriedade pública? Enfim, são tantos e tantos atos de desatino que praticaram esses jovens que se justifica a sua remoção pelo aparato policial empregado, o qual, apesar de forte, não infringiu malefício físico a nenhum dos jovens. Palmas à polícia nessa operação. Para chegarmos à posição do Reino Unido, com seus 100 prêmios Nobel (O Brasil não tem nenhum sequer, lembrando que a Argentina já foi laureada 5 vezes), nossos estudantes terão de fazer muito mais do que somente lutar por direito a uso de maconha no campus ou direito a invasão de reitoria.
Comentário por Francisco Santos — 8 de novembro de 201116:01
2°)
Já publiquei um comentário e deveria parar por ali, mas creio que os comentários do articulista servem de ótimo gancho para trazer à luz o trabalho dos juristas que escrevem nossas leis, principalmente as penais e as processuais. Tais leis têm duas possíveis destinações, ou foram feitas para países com níveis de desenvolvimento humano acima do atingido atualmente pela humanidade, ou foram especialmente talhadas para beneficiar e facilitar a defesa de criminosos. Exemplo disso é a profusão de recursos que existem em nosso sistema legal, que faz com que, até um assassino confesso, se assim desejar, nunca seja preso de fato. Outro exemplo são aqueles ineficazes “princípios”, feitos, ou para anjos, ou para criminosos convictos, ou um ou outro, nunca para seres humanos normais. Como exemplo, cito o tal principio de não criar prova contra si próprio, instrumento legítimo contra tortura, mas, inversamente usado para não obrigar um bêbado que matou no trânsito a fazer teste no bafômetro, ou ainda o principio de que o detento tem o direito de fugir da cadeia, ou que mesmo condenados possam responder indefinidamente em liberdade, já que o sistema foi feito para isso mesmo. São coisas que facilitam muito a vida de advogados de defesa de transgressores e deixam desprotegidas as pessoas que querem e somente sabem seguir à risca um responsável comportamento social. É o que aconteceu com esses “estudantes”, ao invadir a reitoria e quebrar tudo por lá, na defesa de um pretenso direito de consumir maconha em área aberta do campus, e a exigir que a policia saia e deixe a universidade à disposição de bandidos, e, mesmo diante de tais propostas estapafurdias, ter um jurista que saia em defesa deles, utilizando inúteis e despropositados comentários políticos ou uma filosofia que definitivamente não serve para as ruas. Realmente, triste Brasil! Com tal elite será impossível alcançarmos posição de destaque no cenário mundial, e com tais estudantes na melhor universidade brasileira, realmente será impossível sonharmos um dia com um prêmio Nobel, repetindo o exemplo do cometário anterior.
Comentário por Francisco Santos — 8 de novembro de 2011 @ 23:31

terça-feira, 13 de setembro de 2011

(Mini-Ensaio): Sobre o pensamento arcaico do Colégio São Bento-RJ

Vejamos a matéria publicada no Terra sobre o Colégio São Bento do Rio de Janeiro, primeiro colocado no ENEM de 2010, principalmente no tocante a sua prática de não aceitar meninas em suas salas (!!).

O link da matéria "Método do 1º colocado no Enem remete ao século 19, diz especialista", é http://noticias.terra.com.br/educacao/enem/noticias/0,,OI5346342-EI8398,00-Metodo+do+colocado+no+Enem+remete+ao+seculo+diz+especialista.html 

Dessa matéria, extraio o comentário de um ex-aluno, que disse: "Claro que as mulheres distraem um pouco os homens. Se você tem uma namorada no colégio, fica com ela no recreio, vai para aula pensando nela, normal para o ser humano. Mas o colégio não tendo isso, ele o aluno fica mais focado. Isso é positivo porque você pode ter contato com as garotas fora do colégio, no clube ou na faculdade"

A idéia então é que as mulheres são empecilho intelectual para esses jovens!? É no mínimo estranha tal afirmação. Ao colocar-se, em uma mesma sala de aula, meninos e meninas o que se pretende não é, necessariamente, o contato (físico ou sentimental) entre eles, apesar de isso também fazer parte de nossa formação humana há milhares de anos. Mas, tenciona-se encarar ambos, moças e rapazes, como indivíduos antagônicos e complementares, ao mesmo tempo. Para os rapazes é bom ver as moças como seres pensantes, como aliadas e como desfiadoras intelectuais, e vice-versa. E não apenas como namoradas, como afirma o entrevistado. Em nenhum momento pode-se pensar nas mulheres unicamente como parceiras amorosas ou possíveis reprodutoras. Isso é lastimável.

Logicamente é somente a minha opinião, mas eu creio que a formação humana da maioria desses jovens será muito limitada. 

Assim, a casca de sua personalidade será bela e brilhante, mas o recheio pode ser um problema, sendo que, a qualquer momento essa casca pode quebrar por falta de consistência interna. 

Apenas um adendo. Esses jovens passarão em qualquer teste, em qualquer vestibular. Tudo bem. Se o objetivo deles for somente esse até o fim da vida, então os pais podem ficar tranquilos quanto ao que foi oferecido.

Mas, se, em qualquer momento, eles tiverem de participar de relacionamentos em grupos multidiferenciados em termos sexuais, de procedência social e/ou religião, aí a deficiência de formação ficará latente. Pois, de onde tais jovens tirarão as salutares experiências de negociar em ambiente de trabalho (a escola, em última análise, é o ambiente de trabalho do estudante) com meninas e moças e/ou negociar com pessoas de orientação religiosa diferente, já que, naturalmente, também não se relacionam com pessoas pobres?

São jovens que somente sabem a visão do mundo pelo lado rico, masculino, de cunho puramente católico, excessivamente técnico e reprodutor de conhecimentos, sendo que se relacionam unicamente com outros jovens de igual pensamento.

Para mim seria temerário uma empresa querer contratar jovens assim para funções não puramente técnicas. A chance de serem intolerantes com, principalmente, mulheres ou pessoas de credos não-católicos, ou com pessoas excessivamente criativas ou ainda advindas de famílias pobres é muito grande. Se a pessoa juntar esses quatro atributos então, nem se fala!

Ora. Se passaram a vida se vangloriando de um modelo que exclui mulheres e pessoas não-católicas, e que se propõe ser rígido em reprodução de conhecimentos, como eles poderiam olhar com bons olhos, ou mesmo aceitar a existência, por exemplo, de uma mulher ateia ou uma mulher espírita que o desafie com uma solução muito criativa em uma reunião de trabalho? 

O modelo do Colégio São Bento não prepara jovens para tais situações, e digo que tais situações são muito, mas muito frequentes, nos dias de hoje. Para mim, então, tais jovens serão, e sempre serão, excelentes técnicos individualistas. Enquanto puderem operar no campo total e estritamente individual e técnico, tudo bem. Mais que isso é temerário colocá-los. Os resultados podem variar de abaixo da média para desastroso.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

(Mini-Ensaio): Educação e Saúde, o público antes do estatal

Li um artigo do senador Cristovam Buarque no Globo de 27/08/2011 (http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2011/08/27/um-medico-vermelho-401380.asp ). O artigo intitulava-se "Um médico vermelho" e tinha a intenção de homenagear o grande médico Aloysio Campos da Paz, da Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação, reconhecido nacionalmente pela qualidade dos serviços em ortopedia.

O artigo do Cristovam trata basicamente do seguinte, devemos perseguir serviço público de qualidade, sem importar-se com o estatismo da coisa, mas preocupando-se com o usuário final do serviço. Devemos prestigiar as pessoas que tornam possível o atendimento, como os servidores e contratados envolvidos, devemos dar-lhe bons salários e boas condições de trabalhos, mas deve-se exigir contrapartida, e muito.

Sendo assim, talvez o mecanismo estatal paralisante e corporativista brasileiro, sempre pedindo mais e não querendo ser forçado a se obrigar com nada, não serve à população. Os nossos servidores acostumaram-se em demasia a pedir o máximo e oferecer o mínimo. A bem da verdade, nossa população, em geral e cada vez mais, está se acostumando a isso, ou seja, sempre reclamar mais e mais direitos, e menos e menos deveres. Os políticos que proporcionam isso, certamente se elegerão.

Assim, pessoas como Aloysio Campos da Paz, que brigam pelo atendimento à população, pela exigência de um bom atendimento, pelo publicismo do serviço, é taxado de privatista. Mas, a experiência e a história provam o contrário, sendo a Rede Sarah de Hospitais um padrão de qualidade, mesmo sendo público, embora não-estatal.

E foi nessa linha que encaminhei um e-mail à Secretaria de Edução do Estado de São Paulo e ao próprio Senador Cristovan, em junho de 2008, tratando da implementação de escolas no sistema de parcerias público-privadas. O texto encaminhado ao Senador:

"
Senhor senador.

Estou na Av. Paulista presenciando estupefato a segunda passeata monstro dos professores estaduais de São Paulo no mesmo mês. A passeata é monstro pelo seu tamanho, pelo transtorno na circulação de carros e ônibus no degradado trânsito de São Paulo, mas, principalmente pelo efeito nefasto que causa na vida dos alunos. Por todo lado vemos movimentos grevistas de funcionários públicos e sem dúvida uma das que tem efeito mais perverso em longo prazo é o dos professores do Ensino Fundamental. Esses profissionais são, na maioria das vezes, a única barreira entre as crianças e pré-adolescentes e a criminalidade. Vejamos então qual será o futuro desses pequenos e, em última análise, de nosso país.

Certamente, os professores devem ganhar salários dignos, e um plano que eleve esses rendimentos deve ser feito para implementação em curto/médio prazo (entre 1 e 5 anos). Porém, concordo em gênero, número e grau com a exigência de comprometimento dos professores com a sua formação constante e seu desempenho pedagógico. Ora, se os alunos são avaliados bimestralmente, os professores também o deveriam ser, mesmo que em outra periodicidade, mas nunca mais de um ano. Os profissionais da educação não podem se valer de inúmeras licenças e subterfúgios para não dar aula e/ou ter tempo para atividades mais bem remuneradas. Devem cumprir com suas obrigações no magistério. Com certeza todos que se valem dessas "saídas legais" (mas, imorais) devem, não só terem reduzido seus salários, mas sair do serviço público pelas portas dos fundos.

Senhor senador.

Já que é difícil mudar a legislação trabalhista que engessa o serviço público e mais ainda a educação pública, porque o Estado não pensa em criar convênios do tipo Parceria Pública-Privada para a área de educação? Algo como a implantação de escolas onde o Estado garantisse a construção do prédio e sua infra-estrutura e a iniciativa privada (ou ONG, como queira), após licitação feita por lotes de escolas (mínimo de 2 escolas por gestor privado), garantisse o fornecimento dos equipamentos escolares, gestão, conservação e ampliação da escola até um limite máximo instituído na concessão. A conservação periódica do prédio escolar (prevista no contrato de concessão, com obrigações para o Estado e o concessionário, com multas para inadimplentes) seria co-responsabilidade entre o Estado e o concessionário.

Assim, o Estado passaria a avaliar diretamente as concessionárias do serviço, que seriam somente instituições com reconhecida experiência educacional e/ou associadas a instituições com tal experiência consolidada. O Estado poderia até reduzir o prazo de concessão do serviço caso a qualidade caísse abaixo de certos níveis. Os professores seriam contratados diretamente pelas concessionárias nos moldes que ela adote às suas escolas particulares (é imprescindível que o concessionário seja ou se associe a um gestor educacional com experiência comprovada e que tenha escolas em pleno funcionamento).

A remuneração das concessionárias seria através de repasse público, feito com base no custo de uma escola pública padrão para a região (nem mais, nem menos) com reajuste contratual anual, premiação em dinheiro por boa gestão pedagógica, bom desempenho escolar dos alunos e elevação do nível de qualificação dos professores. O ensino seria gratuito como é hoje. Além do padrão de ensino mínimo exigido para uma escola estadual (livros, materiais, equipamentos), haveria um “plus” contratual advindo do método que a concessionária emprega em suas escolas particulares (tais como, sistema de ensino padrão da escola ou aulas extras de reforço ou alguma vantagem tipicamente oferecida em escolas particulares da concessionária), para o qual não haveria cobrança aos alunos. No entanto, a concessionária poderia fornecer cursos e reforços curriculares pagos por alunos que se dispusessem a pagar (tais como, aulas de reforço extra, natação, robótica, balé, judô, capoeira, curso de línguas em regime intensivo ou semi-intensivo, e outros cursos que vemos normalmente em escolas particulares, porém sendo exigido um percentual mínimo de participantes meritórios e gratuitos até nesses cursos extracurriculares pagos).

Tenho certeza que tais escolas seriam mais baratas para o Estado a médio e longo prazo, pois não formaria um passivo previdenciário de responsabilidade do Estado, e a conservação predial da escola seria de responsabilidade parcial da concessionária. Porém, o ensino seria de qualidade superior, os professores teriam obrigatoriedade de reciclagem periódica e salários mais dignos, além de que dificilmente veríamos greve e passeatas de professores.

         Grato pela atenção. Francisco das Chagas Nobre Santos  "

Enviei texto semelhante à Secretaria de Educação de São Paulo. De ambos destinatários somente recebi a mensagem de ter recebido o e-mail.








quinta-feira, 28 de julho de 2011

(Texto): Enchentes em Seul

Estive vendo algumas cenas das enchentes causadas por intensas chuvas em Seul, Coreia do Sul.

À parte a tragédia, lamentando pela morte de, pelo menos, 32 pessoas, fico pensando sobre a magnitude do evento, só para comparar com o ocorrido na região Serrana do Rio no inicio de 2011 onde, no pior momento de chuva, choveu entre 249 e 297 mm em um dia (segundo link http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/01/19/inea-quantidade-de-chuva-que-atingiu-regiao-serrana-tem-probabilidade-de-acontecer-cada-350-anos-923567574.asp ). Porém, em Seul estima-se que tenha chovido 400 mm em pouco mais de um dia (vide http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/deslizamentos+de+terra+deixam+32+mortos+na+coreia+do+sul/n1597102554818.html ).

A grande diferença é que, no Rio de Janeiro (leia-se, Brasil), houve mais de 800 mortes.

Nota-se então uma diferença  abissal no nosso preparo, pois coisas assim, infelizmente, são inevitáveis, resta-nos somente minimizar os efeitos em vidas humanas.

Porém, outras coisas eu observei no vídeo disponibilizado pelo site tvig (http://tvig.ig.com.br/noticias/mundo/video+mostra+enchente+invadindo+ruas+de+gwanak+gu++em+seul-8a49800e3167a0f301316d8eb61e011f.html ). É a filmagem de um cinegrafista amador, das ruas de um bairro de Seul, onde um córrego transbordou. Algo que vemos a qualquer chuva mais forte em São Paulo, por exemplo.

Mas, observo algumas pequenas diferenças que também entram naquilo que disse sobre a minimização dos efeitos. Primeiro não vejo sacos de lixo boiando na enxurrada. Segundo, observem que os semáforos da rua estão funcionando perfeitamente. Muito diferente dos semáforos de São Paulo que param de funcionar assim que começa a trovejar.

Ah! Se pudéssemos contratar os administradores municipais de Seul para administrar nossas combalidas e corruptas cidades.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

(Mini-Ensaio): Novamente a China

Vendo todas as reportagens sobre a China, penso sobre sua aplicabilidade no Brasil (vide link de reportagens do IG sobre a preparação da China para se tornar a primeira a primeira potência mundial: http://economia.ig.com.br/expedicoes/china/china+se+prepara+para+ser+maior+potencia+do+mundo+em+dez+anos/n1597018810542.html)


Lógico que não desejo, em hipótese nenhuma, adotar o modo de vida chinês. Isso não funciona em nossa mentalidade ocidental. Regra geral os orientais se atraem muito pela sistematização, pela formatação, pelo enlatado. Ou seja, as coisas têm de ser excessivamente rígidas, pré-formatadas e muito, mas muito hierarquizadas na mentalidade oriental. Um regime desses funciona muito, diria até muitíssimo bem para reprodução e cópia. Não tem como competir com fábricas que reproduzem e copiam coisas no oriente, e na China especificamente. Eles trabalham loucamente e exigem muito pouco por isso, desde que percebam que há um comando consistente e duradouro.

Mas, se for para criar coisas novas e/ou inovar a partir de uma premissa ou de uma necessidade em mente, essa mentalidade oriental não funciona de forma nenhuma. Por isso que, se os cientistas e estudiosos do oriente querem abrir suas mentes à inovação, eles precisam sair de suas culturas e vir estudar ou observar o ocidente. Não é só questão de equipamentos, mas a cultura oriental, com raríssimas exceções, é falha quando a questão é a criatividade e a inovação, que induz quase sempre a quebra de paradigmas e autoridades consolidadas. Assim, não desejo de forma algum implantar um regime de produção chinês no Brasil.

O que nós precisamos no Brasil, para melhorarmos nossa competitividade, é  resolver a questão da corrupção e toda a ineficiência que ela traz, todo o atraso gerado por ela.

Todas as esferas públicas e boa parte da privada estão tomadas pela corrupção. O brasileiro não sabe mais pensar ou viver seu dia-a-dia sem uma pequena dose de corrupção ou transgressão consentida de normas. É estacionando em fila dupla ou na calçada, é furando uma fila, é pagando uma propina para ter um documento mais rápido, etc., etc. O brasileiro não consegue mais encarar a vida sem essas coisas. E isso se reflete, elevada à enésima potência, nos grandes bastidores de decisões nacionais, seja em gabinetes públicos, seja nos escritórios de planejamento privado.

Na verdade é essa corrupção que atravanca nosso desenvolvimento. E a conivência da sociedade, amparada por nosso sistema legal/processual/penal feitos sob medida para isso (sempre haverá um habeas corpus, uma liminar, um sigilo invocado ou uma imunidade liberando um corrupto da cadeia), torna a mudança dessa situação quase impossível em médio prazo.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

(Texto): O fenômeno de Cocal Alves-PI

Fiquei realmente emocionado com a reportagem que descreve o fenômeno educacional de Cocal Alves no Piauí.

O principal motivo de minha emoção é que esse fenômeno foi causado pelas pessoas. Isso me deixou alegre e esperançoso quanto ao Brasil em geral e o Nordeste em específico.

Aqui não se está falando de estruturas e incentivos e oportunidades e aparelhos. Fala-se do empenho de uma gente que nada tem, pouco recebe e quase nada lhes é prometido, mas guardam dentro de si uma vontade imensa de fazer diferença por si só, de dizer que é possível e de mostrar que o desejo e o empenho são as maiores forças motrizes das mudanças.

Para muitos que nascem e crescem em famílias classe A ou B em grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro, o ocorrido nessa cidade não é digno de tanta citação. Alguns podem até dizer: "grande coisa, ganhar um concurso de soletração" ou "ganhar um prêmio de química no Piauí! Me poupe!"

O preconceito os impede de ver a dificuldade disso e a sua beleza. Para esses, nada que não saia das melhores cadeiras acadêmicas do sudeste deve ser digno de nota.

Tudo bem!

Para mim, que advenho da miséria e de condição muito semelhante aos amigos do Piauí e que provenho de estado tão pobre quanto ele, sei o que é isso e quero dar a devida repercussão a essa matéria.

Segue o link:
http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/em+cocal+dos+alves+nada+e+mais+importante+que+competicoes+educacionais/n1597057185707.html

quarta-feira, 29 de junho de 2011

(Texto): Continuando o porquê do Lucro Brasil na venda de carros

Mesmo correndo o risco de chover no molhado e ser maçante, vou continuar repercutindo o trabalho do Joel Silveria Leite.

Agora tem a continuação a seu artigo de 27.06.2011 "Lucro Brasil faz o consumidor pagar o carro mais caro do mundo":


O link da continuidade é http://omundoemmovimento.blog.uol.com.br/arch2011-06-01_2011-06-30.html#2011_06-28_18_47_53-142809534-0

O resumo da ópera, que diz como nós brasileiros somos deslumbrados e aceitamos ser palhaços, não só de governo, mas também de empresários "espertos" é a declaração de um executivo da Mercedes Benz:

“O preço não tem nada a ver com o custo do produto. Quem define o preço é o mercado”, disse um executivo da Mercedes-Benz, para explicar porque o brasileiro paga R$ 265.00,00 por uma ML 350, que nos Estados Unidos custa o equivalente a R$ 75 mil.

OK man. That's correct! The game is even cruel!

Mas, a última frase dele resume tudo:

“Por que baixar o preço se o consumidor paga?”.

Essa é e sempre será a lógica do mercado, do ponto de vista capitalista: Otário paga, esperto fatura.

Como mudar isso?

terça-feira, 28 de junho de 2011

(Texto): Lucro Brasil e o motivo de nosso carros serem os mais caros do mundo

Recomendo o artigo "Lucro brasil faz o consumidor pagar o carro mais caro do mundo" do Joel Silveira Leite, no link http://omundoemmovimento.blog.uol.com.br/arch2011-06-01_2011-06-30.html.

É isso mesmo. Concordo em gênero, número e grau.

Já fiz comentários do tipo em tudo que é site especializado em veículos, em tudo que é anúncio de lançamento de carro.

Por exemplo, é um absurdo pagarmos R$ 70 mil por um Sentra que custa US$ 18 mil no EUA, que vem mais recheado de itens ainda.

No frigir dos ovos, o culpado  é o próprio consumidor nacional, que aceita isso. Que acha bonito pagar caro, sabendo que a explicação para esse preço é pura ganância das montadoras, descontando-se a já conhecida ganância de nosso governo.

Ora, nos EUA, o Sentra é quase um carro popular. Chegando no Brasil, a Nissan o "encaixa" como quase veículo de luxo, o consumidor engole essa e paga tranquilamento o preço de um carro de luxo. Porém o tal carrão deveria custar, no máximo, os US$ 18 mil (que já tem lucro + impostos + custos indiretos americanos) + o diferencial de impostos no Brasil (chutando 50%) + uma menor produtividade brasileira (chutando muito alto em 10%) = aproximadamente R$ 47 mil, ou seja, menos R$ 23 mil do que a Nissan cobra hoje (-33%).

E isso se repete na Honda, Toyota, Ford, GM, Peugeot, etc. etc.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

(Mini-Ensaio): Sobre a abstinência de sexo

Hoje eu li um artigo, publicado no IG (Delas - Comportamento), a respeito de um grupo de pessoas que pregam a abstinência de sexo. Alguns deles falam da abstinência até o casamento, mais por motivos religiosos.

Mas, outros chegam ao absurdo de pregar a abstinência para todo o sempre e amém, por motivos ... !!

Sei lá, deve haver um motivo! Embora a natureza prove o contrário.

O link para a matéria é: http://delas.ig.com.br/comportamento/eles+decidiram+viver+sem+sexo/n1597030720647.html

A esse respeito, enviei o meu comentário, que reproduzo abaixo:

"Respeito a opinião do casal que optou por viver sem sexo. Tudo bem, serviu bem para eles. Mas, não encaro tal decisão de forma tão natural, por mais que uma filosofia e/ou uma religião fale em contrário. Antes penso ser algo totalmente fora da ordem natural das coisas.


Senão, vejamos. Não somos seres vivos? E o que é a vida? Grosso modo, a vida é uma faculdade química de iniciar um processo de crescimento ou manutenção de sua condição através do fornecimento de novos insumos (alimentação + respiração) e, principalmente, da capacidade de reprodução de si próprio (por isso muitos acham que os vírus não são seres vivos, pois não tem capacidade de se reproduzir por si próprio e não necessitam de alimentação).

Ou seja, nos consideramos vivos, principalmente, porque podemos nos reproduzir, ao menos em teoria.

Isso, sem nenhum apelo religioso, nada mais é do que a máxima bíblica, aquela da ordem natural que Deus nos deu, lembram-se? "Crescei e multiplicai-vos". Isso é a vida! Ou seja, nem precisa da ciência para explicar, é algo que a humanidade sabe há milênios.

Então, como nossa espécie adota há centenas de milhares de anos a reprodução sexuada, nada mais anatural do que abolir o sexo, mesmo que saiba e concorde que, há muitíssimo tempo, ou desde sempre, quase ninguém faz sexo somente para reprodução.

Olha que não estou aqui pregando o sexo somente para reprodução. Não é essa a idéia de nosso corpo.

Nosso corpo nos prepara, desde a adolescência, para os prazeres do sexo. Senão não haveria o orgasmo, não haveria a libido, a pulsação acelerada e toda a imensa parafernália hormonal que nos leva a querer e desejar o sexo.

E boa parte dos processos químicos de nosso corpo engendram isso. Para que os hormônios femininos esculpem um corpo jovem, que é basicamente a forma que abre a libido masculina? Porque acrescer gordura às coxas, aos quadris e aos seios? Porque o corpo humano gasta tanta energia para preparar o útero feminino, preparar os testículos masculinos, porque temos um dispêndio imenso de energia com tanta preparação? Para reprodução sim, mas essa exige o sexo, e é isso que diretamente o nosso corpo deseja.

Então, qual a explicação lógica para jogar fora isso tudo? Por mais que um determinado guru oriental diga que desviamos energia vital nesse processo, ou outro pensamento estapafúrdio!

É lógico que desviamos. Faz parte do negócio. É para isso que fomos feitos. É essa a instrução natural que todo ser vivo ganhou ao se tornar vivo, ou seja: "Crescei e multiplicai-vos". E não estou aqui dizendo nada do ponto de vista religioso. Longe disso.

E se, de repente, toda humanidade achar viável uma atitude dessa, estaremos condenados à extinção? Ou passaremos a nos reproduzir somente in vitro? E aí? A demonstração de amor e apego natural e vínculo material entre casais e entre pais e filhos, que faz parte da pregação de quem advoga tal comportamento, poderia subsistir, em longo prazo, em uma sociedade onde todos foram gerados em laboratório? E o vínculo, a empatia, a cumplicidade carnal que somente o sexo proporciona. Será que a humanidade seria a mesma?

Tenho minhas dúvidas."

sexta-feira, 29 de abril de 2011

(Texto): Sobre uma proposta do Senador Christovan Buarque

Fiquei pasmo com uma idéia do ex-Ministro da educação e atual Senador Christovan Buarque.

Trata-se de um político de minha confiança. Um dos poucos, vale dizer. Mas, discordo bastante desse seu pensamento, a saber, acabar com o abatimento no imposto de renda da despesa com educação.

Assim, enviei a ele um texto onde exponho meu desagrado. Enviei a seu e-mail no Senado (vez por outra envio alguma coisa, sendo que já obtive uma ou duas respostas) a seu site. Segue o texto:

"
Estimado Senador Christovan Buarque.

Muito me angustiou uma notícia, creio que antiga, (link http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/gilberto/gd160603b.htm), que veiculava uma articulação feita por V.Excia. ao Presidente Lula, recomendando pelo fim do abatimento das despesas de educação no imposto de renda, alegando ser um “benefício injusto”.
 Fiquei de cabelos em pé ao ouvir tal comentário e realmente não acreditei que poderia partir de uma pessoa que tem a educação como maior meta e discurso.
 Ora senador, no caso brasileiro, se um pai ou mãe opta por pagar pela educação de seu filho é porque claramente ele sabe que a educação pública é, no melhor dos comentários,  totalmente imprestável. Isso é um fato, não existe argumento que conteste. E não foi o abatimento dos gastos com educação que ocasionou a deterioração da educação pública no Brasil.
 É um absurdo pensar que somente famílias ricas utilizam escolas particulares hoje em dia. Qualquer pai/mãe que deseje um futuro melhor para seus filhos estão se esforçando para mantê-los em escola particular, mesmo sabendo que muitas delas não são assim tão melhores que as péssimas escolas públicas, mas, pelo menos, o ambiente de segurança e disciplina ainda o é.
 Senador. Conheço pessoas que podem ser consideradas pobres e, mesmo assim, mantém filhos em escolas particulares. E a classe média baixa? Nem se fala, pois há um grande número que já se utiliza com frequência de escolas particulares.
 Senador. O senhor, como pessoa informada do sistema educacional brasileiro, deveria saber que, basicamente, somente há alguma eficiência/eficácia na educação no Brasil, formando pessoas preparadas para um bom ensino superior ou pessoas competitivas globalmente, porque ainda existem um bom número de boas escolas particulares por aqui. Em termos numéricos as melhores escolas públicas de ensino fundamental/médio são uma gota no oceano e representam muito pouco no total da excelência educacional brasileira.
 Então, porque penalizar esses pais?
 Senador. Será que V.Excia. não sabe que, em quase todos os países avançados, que certamente tem sistemas públicos de educação tão ou mais avançados que os particulares, pode-se abater a totalidade dos gastos com educação particular. Aqui no Brasil já se penaliza muito quem se utiliza de escolas particulares. Vejamos meu caso, que gasto cerca de R$ 3.000,00 por mês em educação com meus dois filhos, ou seja, cerca de R$ 36.000,00 por ano, e que posso abater somente R$ 2.708,94 por dependente (poucas são as regiões onde se possa encontrar uma escola a R$ 225,00/mês, como se depreende desse abatimento), ou seja R$ 5.417,88 para meus dois filhos. Assim, já sou penalizado em cerca de R$ 30.000,00 ao ano. Tal valor seria plenamente “abatível” se eu morasse nos EUA, por exemplo. E olha que as escolas públicas americanas são de boas a excelentes. O único motivo de um americano utilizar uma escola particular é por elitismo, só isso. Mas, o senhor sabe que, no Brasil, regra geral, não é por questão de elitismo que um pai/mãe se esforça por deixar seus filhos fora da escola pública. E ainda assim, o senhor ainda deseja retirar esse pequeno abatimento?
 E a pretensa receita de cerca de R$ 1,5 bilhão que a Receita Federal arrecadaria com o fim desse abatimento? Quem garante que seriam dirigidos à Educação e não à formação de superávit primário como se vê com frequência no governo federal, ou, muito pior ainda, cairia no tempestuoso mar de caquéticas licitações e/ou corrupções que tanto vemos?
 Para mim, que tenho dois filhos, quando tempo teria de esperar para que esses R$ 1,5 bilhão/anuais surtisse efeito e pudesse colocar meus filhos em uma escola pública que tivesse, no mínimo, a mesma qualidade de 30 anos atrás, que já não era muito boa. Tenha a mais absoluta certeza de que meus filhos não teriam tempo de esperar tal dia. Assim, me veria penalizado ainda mais, pois teria de continuar a pagar integralmente a escola particular, sem nenhum incentivo fiscal.
 Continuo achando um absurdo V.Excia. ter uma ideia dessa. Oras, porque não lutar pela efetiva utilização dos recursos destinados a educação, penalizando exemplarmente dirigentes acusados de desviar, não utilizar ou utilizar mal os recursos disponíveis? Porque não lutar por destinar parcelas de recursos dirigidos a formação de superávit primário à educação? Porque não obrigar que a maior parte das novas (somente as novas) receitas tributárias do pré-sal sejam destinadas à educação, com ferrenha fiscalização de seu destino?
 Senhor. Lembre-se que, se as pessoas que tem filhos em escolas particulares forem em massa para a péssima escola pública nacional, quem administrará esse país daqui a dez ou vinte anos?
 Senhor. Meu pensamento não tem ideologia alguma, é só pragmatismo, puro e simples. Sabemos que, na prática, em qualquer país do mundo, quem administra o país é quem teve a melhor educação. É normal que seja assim. E quem teria uma “boa educação” transitando somente pelos bancos da escola pública nacional? É só olhar os diversos e-mails que circulam sob o nome de “pérolas do ENEM” ou “pérolas do Vestibular” para ver o extremo baixo nível de ensino de nossas escolas públicas.
 Então, para finalizar, depois de uma melhora substancial na qualidade da escola pública, obtendo adequação física, pedagógica e disciplinar semelhante à média das escolas particulares e, em bastantes casos, até superior a essas (situação vista em países desenvolvidos, por exemplo). Aí sim, eu concordaria em retirar qualquer abatimento do tipo (embora, ainda sob protesto).
 Antes disso, nem pensar.
 Obrigado,
   Francisco das Chagas Nobre Santos
"